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Educação

Crianças compartilham seus talentos e viram professores por um dia

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Educadora conta como desenvolveu um projeto para valorizar as habilidades de cada aluno e estimular a troca de conhecimento em uma turma de 5º ano.

Sou professora de uma turma do quinto ano do ensino fundamental, na Escola Estadual Doutor Benedito Estevam dos Santos, em São Paulo (SP). Como tenho na sala alguns alunos com deficiência e também com dificuldade de aprendizagem, resolvi montar um projeto para ressaltar a maior habilidade que cada aluno tinha e dei nome de “Eu, professor”.

A ideia principal foi incentivar a pesquisa por um assunto de interesse de cada um, trazer conhecimento para os colegas, desenvolver a oratória diante da sala, saber produzir um projeto e reforçar que todos possuem habilidades a serem aperfeiçoadas e a serem desenvolvidas. Em um contexto atual, em que temos a inclusão como algo vigente, temos que desenvolver habilidades diferenciadas para que todos alunos brilhem e não se sintam diminuídos.

O projeto se divide em algumas etapas. Primeiro, o aluno tinha que pensar em um tema que gostaria de pesquisar e falar para os colegas. A apresentação não deveria ser apenas de forma discursiva, mas o próprio aluno poderia decidir o recurso e a metodologia que seria utilizada para compartilhar esse conhecimento com a turma.

Antes de começar a atividade, expliquei para os alunos como eles deveriam fazer para elaborar um plano de aula com objetivo, conteúdo, recursos e estratégias. Como estávamos em uma sequência didática com o gênero literário “carta de leitor”, pedi para que todos fizessem um plano relacionado a esse mesmo tema, assim eles poderiam tirar possíveis dúvidas antes de executarem seu projeto. Cada um teve que me entregar o seu roteiro dentro do esquema solicitado, incluindo suas expectativas diante daquele trabalho.

“Temos que desenvolver habilidades diferenciadas para que todos alunos brilhem e não se sintam diminuídos”

Depois que os alunos entregaram seus planos de aula, analisei todas as atividades para verificar se alguém precisava de ajuda ou se eu deveria fazer alguma observação. Também fiquei atenta se eles precisavam de algum material. Feito isso, começamos a marcar as datas e o tempo necessário para os trabalhos serem apresentados.

Vale citar alguns exemplos de trabalhos que foram realizados pela turma. Um aluno com laudo de altas habilidades apresentou uma aula sobre sistema solar. Para isso, ele levou um para a sala de aula um planetário feito de metal que foi construído com seu pai. A apresentação feita por uma criança de 10 anos foi muito rica, tanto em conhecimento quanto em recursos.

Uma aluna com Síndrome do Cromossomo 22, deficiente auditiva e com hipótese de dislexia, tem muita habilidade para trabalhar com artes manuais. Com apoio da mãe, ela elaborou uma aula para confecção de flores de papel. A atividade foi regada de muito afeto, aprendizado e cumplicidade. De forma interativa, outra aluna com muita facilidade em geografia montou um jogo de debate sobre os estados e capitais do Brasil. A sala interagiu participou, e eu obtive como resposta uma melhora muito grande nessa disciplina.

Esse trabalho seguirá até o fim do ano e com certeza com muitas novidades e aprendizados. Com esse projeto, foi possível mostrar para cada aluno que, independente da sua dificuldade, todos são capazes de aprender. Cada um possui uma habilidade e irá brilhar, seja na música, no artesanato, com o conhecimento de planetas e ciências da natureza, com a escrita de um bom texto ou com o raciocínio lógico.

por Cristiane Tobias Compri 

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Educação

Projeto Câmara nas Escolas inicia esta semana

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A Câmara de Vereadores de Afogados da Ingazeira inicia esta semana o Projeto Câmara nas Escolas. O Projeto é idealizado pelo Presidente da Câmara, Igor Mariano, e conta com o apoio de todos os parlamentares.

O Presidente falou da sua expectativa: “Esse é um projeto que vinha batalhando para destravar desde o início do ano, visa educar nossos jovens sobre o papel do legislativo, estou muito feliz que vamos conseguir realizar este momento de discussão, agradeço demais a Secretaria de Educação e aos professores da rede municipal, sem eles isso não seria possível”, destacou Mariano.

O que é o Projeto?

O Projeto foi criado pela Câmara Municipal e conta com o apoio irrestrito da Secretaria de Educação e dos professores da rede municipal. Na sua essência o projeto visa aproximar os alunos da rede municipal com o Poder Legislativo, os alunos do 9º ano terão a oportunidade de visitar as instalações da Câmara Municipal e discutirem com os vereadores as funções e o papel do legislativo, suas comissões, formas de proposições, etc. Também teremos um momento de perguntas e respostas sobre as atividades do legislativo à luz da Constituição Federal, da Lei Orgânica Municipal e do Regimento Interno da Casa.

Quais as escolas que poderão participar do Projeto?

Todas as escolas da rede municipal de ensino, o público alvo acordado entre Câmara Municipal e Secretaria de Educação foram os alunos do 9º ano.

Os alunos receberão algum material didático?

Sim, foi elaborada uma cartilha detalhada pela Câmara Municipal sobre todos os temas que serão debatidos na visita até o Poder Legislativo, todos os alunos receberão este material.

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Educação

Em Pernambuco, as provas do Enem já começaram

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Ao meio-dia os portões do Bloco G da Unicap foram fechados. Local registrou atrasos de estudantes.

Com o fechamento do portões ao meio-dia, os estudantes em Pernambuco aguardam o início da aplicação das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ocorre neste domingo (11) em mais de 1,7 mil municípios do país.

No Bloco G da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), o estudante Clóvis Francisco dos Santos, 20 anos, não conseguiu chegar a tempo para realização do exame. Morador de Olinda, ele saiu de casa às 11h30. “Trabalhei até tarde ontem e perdi a hora. O cansaço atrapalhou, mas vou me preparar para tentar o próximo ano”, lamentou o estudante que estava tentando o Enem pela terceira vez. Já cursando fisioterapia, ele faria o exame para tentar uma bolsa de estudos.

Já Felipe Francatti, 23 anos, chegou faltando dois minutos para fechar os portões, mas ele acabou entrando no Bloco A, mas as provas estão sendo aplicadas no Bloco G da universidade. “Os portões dos blocos são frente a frente, me confundi”, comentou o estudante de Marketing que iria tentar jornalismo pelo Enem.

Houve ainda o caso de um terceiro estudante que também não conseguiu ter acesso ao local de prova, por atraso.

Ansiedade
Antes da abertura dos portões, sentados nas calçadas, muitos dos estudantes  aproveitavam o momento para relaxar e conversar, ou estar ao lado dos pais. Anne Caroline Martins, 19 anos, tenta o Enem pela quarta vez. Ela sonha em fazer o curso de Relações Internacionais. “Dá um frio na barriga, mas eu estudei bastante. Espero eu, que eu passe esse ano. Venho me preparando desde janeiro”, conta.

Já para Alvelinno Silva, 17, é a primeira vez. Assim como para a maioria dos estudantes, o “calo” é a matéria de matemática. “Estudei muito para não ter tantas dificuldades na prova de matemática. É o meu maior carma. Mas, vai dar tudo certo”, espera ele, que carrega o sonho de entrar no ramo da gastronomia.

As provas começam a ser aplicadas às 12h30. A partir das 12h, os alunos devem estar em sala de aula e serão realizados procedimentos de segurança. O participante não poderá deixar o local de prova antes das duas primeiras horas e só poderá levar o caderno de questões para casa caso deixe a sala 30 minutos antes do fim da prova.

O gabarito oficial do Enem 2018 será divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) até 14 de novembro. Já o resultado deverá sair no dia 18 de janeiro de 2019.

(Foto: Clóvis Francisco dos Santos, 20 anos, não chegou a tempo e perdeu o Enem)

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Educação

Brasil cai para último lugar no ranking de status do professor

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Menos de 1 em cada dez brasileiros acha que professor é respeitado em sala de aula.

Muito trabalho, salários menores do que se imagina, falta de respeito dos alunos e um dos piores sistemas educacionais do mundo. É assim que o brasileiro vê a profissão de professor, o que fez o Brasil cair para a última posição do ranking de prestígio de docentes. A pesquisa, realizada em 35 países, foi divulgada na noite desta quarta-feira (7) pela Varkey Foundation, entidade dedicada à melhoria da educação mundial.

O resultado do Brasil se torna ainda mais alarmante se comparado ao do cenário global, que registrou uma melhora na percepção do status dos professores. Vale lembrar que, na última edição da pesquisa, em 2013, o país ocupava a penúltima posição dentre os 21 pesquisados. A avaliação de 2018, por sua vez, foi realizada em 35 países – acompanhando as avaliações do PISA –, e foram entrevistadas mil pessoas entre 16 e 64 anos.

Brasil é o país que menos valoriza o professor — Foto: Juliane Souza/G1

Brasil é o país que menos valoriza o professor — Foto: Juliane Souza/G1

E se no ranking de prestígio geral o resultado não é bom para o Brasil, nos recortes específicos os dados também são muito desanimadores. Menos de 1 em cada 10 brasileiros (9%) acha que os alunos respeitam seus professores em sala de aula – também o último lugar do ranking. Para efeito de comparação, a China é país com a melhor avaliação: lá, 81% das pessoas acreditam que os docentes são respeitados pelos alunos.

Para Sunny Varkey, fundador da Varkey Foundation, o índice fornece provas de que o status dos professores na sociedade, seu prestígio e a forma como são enxergados, tem influência decisiva no desempenho dos alunos na escola.

“Respeitar os professores não é apenas um dever moral importante, é essencial para os resultados educacionais de um país. Mas ainda há muito a ser feito antes que os professores recebam o respeito que merecem”, diz Varkey.

Vale lembrar que a Varkey promove anualmente o Global Teacher Prize, o “Nobel da Educação”, que premia os melhores educadores do ano. A última edição, realizada em março, em Dubai, Emirados Árabes, foi vencida pela britânica Andria Zafirakou, e teve o professor brasileiro Diego Mahfouz Faria Lima entre os dez finalistas.

A pesquisa também mostra que há pouca compreensão do trabalho e da remuneração dos professores. Enquanto os entrevistados acreditam que os docentes trabalham, em média, 39,2 horas por semana, os profissionais relatam 47,7 horas dedicadas semanalmente ao ofício de ensinar – quase 20% a mais. Por outro lado, as pessoas estimam que os professores têm salário médio inicial de US$ 15 mil, enquanto, na verdade, a remuneração é de US$ 13 mil, em média. Há ainda a percepção de que os salários não sejam justos: os brasileiros defendem que um docente em início de carreira deva ganhar o equivalente a US$ 20 mil por ano – um aumento de US$ 7 mil.

Professor desempreago transformou a calçada de casa em sala de aula, em Aracaju (SE). — Foto: Mara Lúcia de Paula

O levantamento mostra ainda que 88% dos brasileiros consideram a profissão de professor como sendo de “baixo status” – o segundo pior lugar do ranking mundial, perdendo apenas para Israel, onde 90% dos cidadãos pensam da mesma forma. Talvez por isso, apenas 1 em cada cinco brasileiros incentivariam o filho a ser professor, a sétima pior posição global. Em comparação, na Índia, 54% dos pais dizem que encorajariam o filho a ensinar.

Diante do cenário caótico, é natural que os brasileiros classifiquem seu sistema de ensino como ruim – melhor apenas que o egípcio: enquanto o Brasil leva nota 4,2, o país africano é avaliado em 3,8 por seus cidadãos. Nossa vizinha Argentina ganhou nota 5,4 e a Finlândia, líder do ranking, foi avaliada com 8 na escala que vai de zero a dez.

Mas, afinal, o que faz com que os brasileiros tenham essa percepção negativa sobre a educação no país e seus professores? Para Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM e ex-secretária de educação básica do Ministério da Educação, a falta de respeito para com os docentes é um sintoma de vários problemas. O primeiro deles é que o modelo da escola é obsoleto.

“Temos um modelo educacional marcado pelo modelo das escolas no início do século 20, com um desenho completamente diferente. As crianças recebiam as informações na escola, e, hoje, recebem milhares de informações fora da escola. Se você tem uma educação que não prioriza a interpretação, a reflexão, não é à toa que tenha uma campanha presidencial feita com Fake News. As crianças recebem essa montanha de informações, do YouTube, WhatsApp… E quando chegam na escola, ela ainda é analógica. Os professores escrevem no quadro e as crianças copiam. É um livro em texto, ainda monodimensional, sendo que as crianças enxergam tudo de forma multidimensional. O professor foi formado para trabalhar dessa maneira tradicional, arcaica, obsoleta. Muitas vezes ele sente que tem que mudar, mas não tem a formação para mudar”, explica Pilar.

A educadora lembra ainda a desigualdade econômica e a violência urbana como fatores que prejudicam o ensino e afetam o professor, tanto no desenvolvimento da sua profissão quanto no cotidiano do trabalho. A educação em áreas vulneráveis será tema de seu painel selecionado para o South by Southwest EDU, festival realizado em março nos EUA que discute novas iniciativas educacionais.

Professor em sala de aula em São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo

“Muitas vezes o professor para o projeto no meio por conta de alunos assassinados, abandono de bairro por brigas de facções. É um cenário com uma indecente desigualdade socioeconômica. Os professores encontram situações de alunos de 8 a 10 anos em situação de extrema miséria. E quando a gente pensa na educação para todos, temos que pensar em educação para crianças cujos pais e avós não estudaram, que não têm acesso à literatura, cinema, teatro”, lembra.

Um outro fator a ser considerado é a mudança radical que a profissão de professor sofre a partir dos anos 1980 e 1990, após a Constituição de 1988 e a inclusão digital. “Quando você pergunta a essas crianças o que elas querem fazer quando crescerem, grande parte cita profissões que não existiam cinco anos atrás: youtuber, influenciadora digital… Mesmo professores na faixa dos 40 anos sequer sabem como se ganha dinheiro sendo youtuber, influenciadora digital. Isso não faz parte do desenho mental. Temos que ressignificar isso com os alunos, trabalhar com projeto de vida, qual o sonho profissional, aprofundar o diálogo”.

Para Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, a crise na percepção do status dos professores – e consequentes falta de respeito e má remuneração – passa diretamente pela falta de atratividade do magistério no Brasil.

“Quando a gente compara dados iniciais do salário da carreira de professor com outras áreas, a diferença é de 11%. Na medida em que isso evolui, a diferença atinge 40%, no nível intermediário. Já no fim da carreira, atinge até 70%. São estudos da PNAD, que mostram o crescimento da defasagem salário ao longo da carreira. No último PISA, dos adolescentes que participaram, nenhum respondeu que queria ser professor. Isso é um retrato da baixa atratividade e do baixo prestígio que tem a carreira de professor no Brasil”, fala Mozar Neves Ramos.

Ainda para Mozart, é necessária uma atuação mais adequada das universidades na formação dos professores. Para ele, os cursos são extremamente teóricos e pouco práticos, o que contribui para que os profissionais estejam pouco conectados com a escola. “Se a universidade não melhorar sua formação, não vamos ter uma qualidade na base para atingirmos a meta do ensino superior. Enquanto o mundo está se preparando para a revolução 4.0, nossos professores estão lidando com problemas do século 19, do século 20. O professor tem que ser um tutor, indutor de qualidade, que promova o trabalho em equipe, ele tem que ser formado em educação integral, coisa que as universidades não fazem.”

Por fim, Mozart lembra dos inúmeros casos de violência contra professores registrados nos últimos anos. Para ele, o problema é maior que apenas o campo da educação. “Essa pesquisa retrata um grave problema do Brasil, não só da educação brasileira. Quando a gente vê essas inúmeras reportagens de violência dos alunos contra professores, isso passa por um ponto central: é dever do estado e da família prover essa educação. O que hoje observamos é que as famílias estão delegando às escolas o seu papel, que é educar seus filhos. E quando falta essa educação familiar, ela se manifesta no ambiente escolar. E quem é a vítima desse processo? O professor”.

Por Fabrício Vitorino, G1

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