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Cultura

Fim de bibliotecas em ônibus faz leitura despencar em SP

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Programa municipal de ônibus-bibliotecas sobreviveu por oito décadas de maneira intermitente até o fim de 2015 e está parado desde então

Em 1936, seu último ano como diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, o escritor Mário de Andrade questionou: em vez de esperar que o público fosse às bibliotecas, por que elas não vão ao público?

Ele então procurou a montadora Ford, colocou livros dentro de um ônibus e os levou para regiões periféricas da capital paulista, onde o transporte é precário e o acesso a bibliotecas é escasso.

Aos trancos e barrancos, o programa municipal de ônibus-bibliotecas sobreviveu por oito décadas de maneira intermitente até o fim de 2015 e está parado desde então.

A suspensão do projeto fez despencar os números de acesso a livros na cidade.

Em 2015, 627.637 consultas a livros foram feitas em ônibus-bibliotecas, quase a metade do número total (1.519.780). Comparativamente, 648.518 consultas foram feitas nas 52 bibliotecas na cidade naquele ano (atualmente são 54).

No ano passado, o primeiro período inteiro sem ônibus, o total de consultas a livros na cidade caiu para 843.579.

Ainda que o número de consultas em bibliotecas convencionais tenha subido 4% em relação a 2015, a queda no total de consultas na cidade foi de 44,5% (consultas podem ainda serem feitas em programas como Bosques da Leitura e Ponto de Leitura).

No último ano de atividades, doze veículos percorriam 72 roteiros nos quatro cantos da cidade. Cada um deles com 4.000 itens: livros, revistas e jornais. Regiões periféricas como Brasilândia, Cachoeirinha, Capão Redondo, Cidade Tiradentes estavam no mapa.

O último contrato, de cinco anos, da prefeitura com as empresas de ônibus encerrou-se no final de 2015, durante a gestão Fernando Haddad (PT).

Uma licitação foi aberta, mas empresa que teve sua participação cancelada por supostos problemas na documentação entrou na Justiça e conseguiu a interrupção do processo.

No final de 2016, a administração petista fez nova licitação, que não foi levada adiante pela administração atual devido a questões orçamentárias.

Foi em um ônibus-biblioteca estacionado próximo ao terminal Varginha, no extremo sul da capital, que Amanda Cruz, 23, teve acesso às obras cobradas no vestibular da USP, no fim de 2012. “A minha família não é de leitores, meus pais não se formaram no ensino fundamental, então minha casa não tinha livros. Era uma oportunidade para eu conseguir ler”, diz.

Os livros não só a ajudaram a passar no vestibular como também a escolher sua profissão. “Foi nessa biblioteca que eu conheci a obra de Mário de Andrade e foi por causa dele que decidi estudar letras”, conta ela, agora aluna da USP.

“Hoje tenho acesso a outras coisas, vou à biblioteca da universidade e a outras pela cidade. Mas e quem nem sabe que pode procurar esses lugares?”.

A escritora e tradutora Maria José Silveira, que recebeu o prêmio APCA por seu romance de estreia, “A Mãe da Mãe de sua Mãe e suas Filhas” (2002), participou de encontro com leitores em roteiro do ônibus-bilioteca em 2015, no Jardim Ângela, na zona sul.

Ela diz que o ônibus estacionou perto de escola pública da qual saíam alunos e pais, que paravam para conversar.

“Tive um contato importante com um público diferente daquele a que estou acostumada em livrarias e faculdades. Conversei com pessoas mais carentes, mais atenciosas, mais interessadas”.

Secretária de Cultura entre abril e dezembro de 2016, Rosário Ramalho explica que o programa era prioritário e a ideia era ampliá-lo, o que não foi possível devido à interrupção da licitação pela liminar.

“A prefeitura perdeu na Justiça a licitação, mas nós [gestão Haddad] deixamos outra proposta e também recursos para que o programa fosse retomado em 2017. Aconteceu aquele congelamento monstro [43,5%] do orçamento da secretaria em 2017 e ela praticamente parou, e então a licitação não foi retomada.”

Em 2017, o Tribunal de Contas do Município apontou a participação significativa dos ônibus nos índices de leitura. Em resposta, a Secretaria de Cultura, já na gestão Doria, disse que planejava colocar um veículo em funcionamento no primeiro semestre de 2018, o que não ocorreu.

Em nota, a Secretaria de Cultura afirma que “colocou R$ 2 milhões no orçamento de 2018 para este projeto. A retomada do ônibus-biblioteca está vencendo barreiras burocráticas para ser ativada ainda este ano.”

Informa também que “houve um acréscimo de consultas e empréstimos de livros e frequência de público nas bibliotecas em 2017 em relação a 2015. A melhora se deve à implementação do programa Biblioteca Viva, que consiste em levar programação cultural semanalmente, a disponibilização de wi-fi gratuito e mudanças mobiliárias em todas as bibliotecas, tornando estes espaços mais atrativos para a população.”

Por Folhapress.

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Cultura

Literatura de cordel vira patrimônio cultural do Brasil

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O tombamento do acervo Arthur Bispo do Rosário será analisado como patrimônio material

literatura de cordel foi transformada em patrimônio cultural do Brasil, na manhã desta quarta (19).

Em reunião no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultura -órgão colegiado de decisão máxima do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)- aprovou por unanimidade o tombamento. O Iphan, por sua vez, é vinculado ao MinC (Ministério da Cultura).

Estiveram presentes o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, e o presidente da ABLC (Academia Brasileira de Literatura de Cordel), Gonçalo Ferreira da Silva, que foi o proponente do pedido de registro.

Na parte da tarde, será analisado o tombamento do acervo Arthur Bispo do Rosário como patrimônio material.

Na quinta-feira (20), mais quatro serão avaliados: a Procissão do Senhor dos Passos, em Florianópolis (SC), Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira (SP), os terreiros de candomblé Ilê Obá Ogunté Sítio Pai Adão, em Recife (PE), e Tumba Junsara, em Salvador (BA).

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Literatura de cordel vira patrimônio cultural do Brasil

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O tombamento do acervo Arthur Bispo do Rosário será analisado como patrimônio material.

literatura de cordel foi transformada em patrimônio cultural do Brasil, na manhã desta quarta (19).

Em reunião no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultura -órgão colegiado de decisão máxima do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)- aprovou por unanimidade o tombamento. O Iphan, por sua vez, é vinculado ao MinC (Ministério da Cultura).

Estiveram presentes o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, e o presidente da ABLC (Academia Brasileira de Literatura de Cordel), Gonçalo Ferreira da Silva, que foi o proponente do pedido de registro.

Na parte da tarde, será analisado o tombamento do acervo Arthur Bispo do Rosário como patrimônio material.

Na quinta-feira (20), mais quatro serão avaliados: a Procissão do Senhor dos Passos, em Florianópolis (SC), Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira (SP), os terreiros de candomblé Ilê Obá Ogunté Sítio Pai Adão, em Recife (PE), e Tumba Junsara, em Salvador (BA). Com informações da Folhapress. 

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Cultura

Jornalistas contam suas histórias e a da imprensa pernambucana

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Como era o fazer jornalístico nos anos 40, 50 e 60, década em que a imprensa pernambucana começou a viver um processo de modernização que a colocou, em termos editoriais e gráficos, no mesmo patamar da grande mídia nacional? Qual foi o impacto da ditadura militar sobre o modo de produção dos jornais, uma vez que se instituiu a censura e vários jornalistas foram presos, alguns até torturados?

Essas são algumas das perguntas que o livro Palavra de jornalista – As entrevistas do projeto Memória Viva da Imprensa de Pernambuco procura responder.  Para isso, reúne entrevistas com 21 profissionais de destacada trajetória na esfera jornalística, tanto pela importância dos cargos e funções que exerceram/exercem como pela projeção sociocultural alcançada.

Organizado por Evaldo Costa e Gílson Oliveira, o livro, com 471 páginas e mais de 150 fotografias,  compõe  um amplo e diversificado painel sobre a história recente do estado e do país. O lançamento será às 19h do dia 21 de setembro (próxima sexta-feira), na Feira Nordestina do Livro (Fenelivro), Centro de Convenções de Pernambuco.   

Os entrevistados são: Raimundo Carrero, Geraldo Freire, Francisco José, Ronildo Maia Leite, Carlos Garcia, Aldo Paes Barreto, Fernando Menezes, Zezito Maciel, Lenivaldo Aragão, Homero Fonseca, Vera Ferraz, Ricardo Leitão, Ivan Maurício, José do Patrocínio, Abdias Moura, Aluízio Falcão, Olbiano Silveira, Ivanildo Sampaio, Eduardo Ferreira, Divane Carvalho e Alexandrino Rocha.

“Atualmente, fala-se mais de fakes news do que de Jornalismo. Como sairemos disso? Ninguém parece saber. Mas, um excelente começo é conhecer e valorizar o legado destes 21 que têm a palavra no livro, mestres reconhecidos pelo domínio da técnica e pelos exemplos de coragem e retidão que produziram”, diz Evaldo Costa.

Abordando o livro sob outro ângulo, Gílson Oliveira assinala que “ele não incursiona apenas por ‘páginas infelizes de nossa história’. Também focaliza aspectos leves, engraçados e folclóricos do dia a dia da Imprensa, a exemplo dos erros de revisão, que provocaram muitos problemas e até demissão de profissionais”.

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