70% dos países do ‘Conselho da Paz’ de Trump são autocracias ou ditaduras

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Iniciativa do ex-presidente americano para criar um novo órgão diplomático global gera preocupação internacional devido à composição majoritariamente autocrática e intenção de rivalizar com a ONU.

O Conselho da Paz de Donald Trump, lançado para suplantar a ONU, inclui 70% de autocracias, gerando apreensão global sobre sua composição e objetivos.

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (22) a criação do chamado Conselho da Paz, um novo órgão diplomático que seu governo espera utilizar para suplantar as Nações Unidas, embora o americano negue essa intenção. Inicialmente concebido como um instrumento para governar a Faixa de Gaza como parte de um cessar-fogo na região, o conselho tem ganhado contornos mais amplos, um movimento recebido com preocupação por nações como França, Canadá, Reino Unido e Brasil.

Trump expressou grande honra em presidir o conselho, afirmando que ele tem a chance de ser um dos mais importantes já criados. A cerimônia de assinatura ocorreu às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e contou com a presença de líderes que já aceitaram participar, como o argentino Javier Milei, o indonésio Prabowo Subianto e o húngaro Viktor Orbán. Durante sua fala, o ex-presidente criticou a ONU, declarando que a iniciativa pode ser “algo único para o mundo”, indicando sua pretensão de que o grupo não se limite a discutir o território palestino.

Composição e Repercussões Internacionais

Entre os 24 países que já aceitaram o convite de Trump, 17 são classificados como regimes autocráticos ou ditatoriais, de acordo com o Instituto V-Dem, que monitora parâmetros democráticos anualmente. Exemplos incluem Hungria, Qatar e Arábia Saudita, nações que mantêm relações próximas com o governo americano sob Trump.

Mesmo as democracias consideradas plenas, como Argentina, Israel e Paraguai, exibem governos alinhados às políticas conservadoras do republicano, representados por líderes como Javier Milei, Binyamin Netanyahu e Santiago Peña.

A estrutura da organização permanece pouco clara. O conselho, cujo logo apresenta o planeta Terra com os EUA no centro, será presidido por Trump, que terá preponderância sobre praticamente todas as decisões, desde a renovação de mandatos dos membros e convocação de reuniões até a definição do comitê executivo para a reconstrução palestina.

Além disso, Trump deterá o voto de desempate em questões sem consenso. O ex-presidente também planeja cobrar US$ 1 bilhão de quem desejar um assento permanente.

Países europeus ainda analisam o convite, com alguns, como França, Reino Unido e Noruega, já recusando a participação em meio a tensões geradas por outras iniciativas de Trump. O Brasil, por sua vez, avalia sua adesão.

A diplomacia brasileira busca equilibrar sua tradição de participação em espaços de diálogo internacional com a preocupação de que a iniciativa americana possa esvaziar a ONU como um espaço legítimo de debate global. O presidente Lula tem conversado com líderes de países convidados, como a Turquia, mas o tema do conselho não foi oficialmente abordado em todos os diálogos públicos.

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