O 2º Encontro de Instituições Oncológicas Latino-Americanas, promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com o Proadi-SUS, contou com a presença de importantes vozes da oncologia global em novembro, em São Paulo.
O principal objetivo foi propor o diálogo e o fortalecimento da primeira rede de instituições oncológicas latino-americanas, a Organização Latino-Americana de Institutos de Câncer (OLACI), que acaba de completar um ano com 10 associados.
O A.C.Camargo foi um dos criadores da OLACI ao lado de instituições do Chile, Colômbia, Peru e Equador, além do Hospital Araújo Jorge, de Goiânia (GO). O encontro abriu portas para o ingresso de outros centros oncológicos na organização.
“Quando tive a oportunidade de conhecer a forma como os europeus se organizam em rede para cuidar melhor e a potência que isso gera para o controle do câncer, entendi que precisávamos criar um modelo tão eficiente quanto, um braço latino-americano da OECI (Organização dos Institutos Europeus de Câncer).”
Dr. Victor Piana, CEO do A.C.Camargo
De acordo com ele, com a criação dessa rede colaborativa será possível, pela primeira vez, integrar dados compartilhados por diferentes países, estabelecer prioridades e alinhar indicadores de qualidade e referência de desfechos de câncer na América Latina.
Para trazer a experiência europeia, o simpósio contou com a presença do oncologista francês Thierry Phillip, membro da Assembleia da Missão Europeia Contra o Câncer, diretor da OECI World e uma das principais referências em gestão da saúde oncológica na Europa.
“Essa cooperação entre cancer centers do mundo é fundamental para combatermos desigualdades, ampliar o acesso e dar espaço para a inovação na oncologia. Para avançarmos, é necessário estabelecer padrões de qualidade, que darão credibilidade aos indicadores”, afirmou Phillip.
Fortalecer o cuidado oncológico
O encontro reuniu especialistas do Brasil, Chile, Colômbia, Canadá, Índia e França para compartilhar caminhos concretos para fortalecer o cuidado oncológico nos setores público e privado.
Representantes de instituições oncológicas como a Fundación Arturo Lopez Perez (FALP), do Chile, e o Instituto Nacional de Cancerologia (INC), da Colômbia, dividiram vivências e aprendizados que reforçam o quanto a cooperação internacional é essencial para aprimorar modelos de cuidado e governança.
“A Europa nos mostra que a colaboração é um caminho muito produtivo para aprimorar o ecossistema do câncer e todos os centros participantes. Portanto, o propósito e a razão de ser da OLACI é reunir centros de tratamento de câncer na América Latina para que se ajudem mutuamente a melhorar e a colaborar”, explicou Cristian Ayala, presidente da FALP.
Para Edgard Salgueiro, do INC Colômbia, os países da América Latina têm desafios em comum e podem somar forças para encontrar soluções reais.
“A única maneira de termos um desenvolvimento harmônico, alcançando o melhor custo-efetividade possível e gerando impacto significativo para além dos nossos muros, é fazendo alianças com instituições com a mesma sinergia”, ponderou.
A programação do simpósio trouxe outras perspectivas internacionais essenciais para pensar o futuro das redes oncológicas.
C.S.Pramesh, do Tata Memorial Cancer Center, apresentou experiências da Rede Nacional de Câncer da Índia, e os avanços no atendimento oncológico mais equitativo, enquanto Mary Gospodarowicz, do Princess Margaret Cancer Center, no Canadá, compartilhou como o país integra prevenção e terapias inovadoras em uma jornada de cuidado focada em melhores desfechos clínicos.
Desafios da rede pública brasileira
O Brasil também esteve no centro dos debates. Autoridades do Ministério da Saúde reforçaram os desafios e oportunidades na rede pública.
“Construir redes colaborativas para a organização de protocolos assistenciais, para realização de pesquisas, é algo importante para levarmos a oncologia do SUS para o nível que precisamos”, ressaltou Adriano Massuda, secretário-executivo da pasta, ao destacar o papel do Sistema Único de Saúde na coordenação desse modelo.
Representantes de entidades e instituições médicas no Brasil puderam discutir caminhos concretos para fortalecer o cuidado oncológico nos setores público e privado.
“Ver experiências exitosas, em outros estados, fazer trocas, tudo isso é fundamental”, frisou Patrícia Santos Martins, coordenadora estadual de Atenção Oncológica da Secretaria de Saúde do Pará.
Com novas instituições já manifestando interesse, a OLACI deve ampliar a atuação nos próximos meses. A expectativa é que a rede contribua para padronizar cuidados, ampliar acesso a terapias inovadoras e fortalecer pesquisas multicêntricas na região.


