Qualificação para transição

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A escassez de profissionais especializados retarda a mudança para energias limpas, agravando a crise climática e exigindo investimentos urgentes em formação.

O déficit de profissionais qualificados para a transição energética global impulsiona a economia do petróleo, intensificando a crise climática e demandando investimentos urgentes em requalificação.

A transição energética, vista como a rota para um futuro mais sustentável, enfrenta um adversário paradoxal: a inércia da economia do petróleo e a carência de profissionais qualificados. Essa combinação prolonga a dependência de combustíveis fósseis e acelera o aumento da temperatura global, intensificando fenômenos climáticos extremos, como nevascas incomuns, tempestades severas e estiagens prolongadas.

A urgência da mudança é clara, mas a capacidade de executá-la esbarra na falta de mão de obra especializada.

Enquanto a participação de energias limpas cresce nas cidades e no transporte, o ritmo ainda é insuficiente. Um dos gargalos mais significativos é a baixa formação profissional direcionada às demandas da transição energética. Para reverter esse quadro, será necessário um volume considerável de investimento em um prazo relativamente curto, especialmente se a crise climática continuar a apertar o cerco, sobretudo nos grandes centros urbanos. A escassez de habilidades foi um tema central na Global Labor Market Conference, realizada na Arábia Saudita, evidenciando a dimensão global do problema.

Desafios na Formação e Requalificação Global

A falta de pessoal capacitado é notória em diversos setores. Por exemplo, a reciclagem de plásticos já enfrenta uma diminuição de profissionais e se prepara para perdas adicionais com a aposentadoria de trabalhadores experientes.

Na Arábia Saudita, país historicamente ligado ao petróleo, estima-se que menos de um terço dos engenheiros necessários para as tecnologias sustentáveis estejam atualmente em formação. Herwig Immervoll, da OCDE, ressaltou a importância da inovação e de “intervenções proativas para que os trabalhadores não fiquem esperando em meio ao caos quando as mudanças acontecerem”, apontando para a necessidade urgente de requalificação por parte de governos, empresas e universidades em todo o mundo.

No Brasil, embora o desafio seja imenso, iniciativas pontuais começam a surgir. O Senai no Rio Grande do Norte deu um passo importante ao iniciar as aulas da primeira pós-graduação no país focada em energia eólica offshore.

Essa formação específica atende a uma turma de 43 profissionais de diversas áreas, desde engenheiros a gestores, e conta com a integração de entidades nacionais e globais do setor para abordar tendências e modelos de regulação e desenvolvimento.

Essa iniciativa é um indicativo de um movimento necessário, mas também do quanto é preciso acelerar para atender às crescentes demandas do setor. A região Nordeste, com seu vasto potencial para protagonizar a economia baseada em fontes renováveis, tem a oportunidade de se consolidar como um polo de formação para a transição energética.

Investimentos estratégicos agora significarão um ganho competitivo nos próximos anos, posicionando os estados da região e o Brasil em uma situação de vantagem no cenário global da energia limpa. A qualificação profissional não é apenas uma questão de mercado de trabalho, mas um pilar fundamental para a sustentabilidade e a resiliência do país diante dos desafios climáticos.

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