União Europeia avança na discussão de novas sanções e da designação da Guarda Revolucionária como grupo terrorista, enquanto EUA também intensificam pressão sobre Teerã.
A União Europeia avalia classificar a Guarda Revolucionária do Irã como terrorista e impõe novas sanções, enquanto os EUA intensificam a pressão sobre Teerã.
A União Europeia (UE) debate nesta quinta-feira a possível classificação da Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista, uma medida acompanhada da preparação de um novo pacote de sanções contra Teerã. A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, expressou a expectativa de que os países-membros cheguem a um consenso, justificando que “quem age como terrorista deve ser tratado como tal”.
Se aprovada, a Guarda Revolucionária seria equiparada a grupos como Al-Qaeda e Estado Islâmico.
A decisão proposta está diretamente ligada à violenta repressão dos protestos recentes no Irã, conduzida pelo regime com o apoio da Guarda Revolucionária. Kallas enfatizou que a dimensão da violência e os métodos empregados contra os manifestantes justificam uma resposta firme da UE, enviando uma mensagem de que a repressão terá custos políticos e econômicos.
Embora alguns países expressassem receio de que a classificação pudesse prejudicar embaixadas europeias em território iraniano, Kallas afirmou que os riscos foram avaliados, e a expectativa é de que os canais diplomáticos permaneçam abertos.
Dados da ONG Human Rights Activists News Agency revelam um cenário alarmante, com mais de 6.200 mortes durante os protestos e mais de 42 mil detenções. O governo iraniano, por sua vez, já advertiu que a medida europeia, caso confirmada, poderá acarretar “consequências destrutivas” para as relações entre Teerã e o bloco. A unanimidade entre os Estados-membros é essencial para a aprovação, e nações como França e Itália, inicialmente reticentes, agora admitem a classificação.
EUA aumentam pressão sobre Teerã
Paralelamente aos movimentos da União Europeia, os Estados Unidos também intensificam a pressão sobre o Irã. Segundo a CNN, o presidente Donald Trump avalia novas opções militares diante do impasse nas negociações sobre o programa nuclear iraniano e a produção de mísseis balísticos.
Fontes indicam que a falta de progresso nas conversas reforçou a defesa interna por uma resposta mais contundente.
Trump cobrou publicamente Teerã por meio da Truth Social, advertindo que uma eventual nova ofensiva americana teria um impacto superior ao ataque do verão passado, que atingiu instalações nucleares iranianas. Cenários em análise incluem ataques aéreos pontuais contra lideranças iranianas e autoridades de segurança ligadas à repressão interna, além de ações contra estruturas estratégicas do governo e do setor nuclear.
A avaliação de um contexto militar mais favorável ganhou força após o deslocamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oceano Índico.
Do lado iraniano, o líder supremo Ali Khamenei voltou a condenar os protestos e defendeu uma repressão severa, atribuindo parte da responsabilidade pelas mortes a Trump e prometendo não perdoar opositores internos nem o que classificou como “criminosos internacionais”. A escalada de tensões sinaliza um período de crescente incerteza nas relações internacionais envolvendo o Irã, com o país enfrentando uma frente unida de pressão diplomática e militar.


