Insegurança concentrada

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Concentração da violência em 14 cidades desafia metas estaduais e exige maior integração municipal em Pernambuco

Apenas 14 municípios pernambucanos concentraram mais da metade das mortes violentas em 2025, revelando um desafio persistente para a segurança pública estadual.

A segurança pública em Pernambuco continua sendo um dos maiores desafios para a gestão estadual, com dados recentes apontando para uma alarmante concentração de mortes violentas em um número restrito de municípios. De acordo com informações oficiais da segurança pública, apenas 14 cidades do estado foram responsáveis por mais da metade dos assassinatos registrados em 2025, evidenciando a necessidade de estratégias mais focadas e integradas para combater a criminalidade.

Apesar de uma trajetória de queda significativa nos assassinatos desde 2004, o ano de 2025 ainda encerrou com um índice de 32 mortes violentas por 100 mil habitantes, totalizando 3.132 ocorrências. Esse patamar mantém Pernambuco em uma posição de destaque entre os estados mais violentos do Brasil, tanto em termos absolutos, atrás apenas de Rio de Janeiro e Bahia, quanto em termos relativos, ficando atrás somente do Ceará, segundo levantamento do Ministério da Justiça. A Secretaria de Defesa Social do governo estadual revelou que 57% dessas mortes ocorreram em apenas 14 cidades, com o Recife concentrando a maior parte, com mais de 500 assassinatos. Outros municípios críticos incluem Jaboatão dos Guararapes, Petrolina, Cabo de Santo Agostinho, Olinda, Paulista, Caruaru, Camaragibe, São Lourenço da Mata, Goiana, Vitória de Santo Antão, Ipojuca, Moreno e Igarassu.

Desafios e Metas Governamentais

A redução de quase 10% em relação a 2024, embora positiva, ainda está distante da ambiciosa meta da gestão da governadora Raquel Lyra, que prevê uma diminuição de 30% nas mortes violentas em 2026, comparado a 2022. Para alcançar tal objetivo, seria necessário reduzir as mortes de 3.427 para 2.399, uma projeção que se mostra difícil diante dos dados atuais e da complexidade do problema.

A segurança pública é uma questão que desafia governos pernambucanos há muitos anos, demandando mais do que apenas disposição política para promover a transformação esperada pela população.

O levantamento oficial aponta para a urgência de reforçar políticas públicas de repressão e prevenção nessas cidades críticas. Contudo, a eficácia dessas ações está intrinsecamente ligada à necessidade de uma maior integração das prefeituras ao esforço institucional de combate à insegurança, com destaque para a capital, Recife.

Um estudo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apresentado em junho passado revelou um cenário preocupante: 92% dos municípios pernambucanos não possuem um plano de segurança pública, e quase a totalidade (97%) sequer dispõe de um diagnóstico da situação local. Essa lacuna impede uma abordagem coordenada e eficaz.

A concentração da insegurança em um grupo seleto de cidades oferece uma perspectiva adicional ao problema, que deve ser encarada com responsabilidade por todas as esferas governamentais e suas respectivas câmaras de vereadores. Sem a participação efetiva e a valiosa contribuição das prefeituras, especialmente nas ações de prevenção, o trabalho do governo do Estado torna-se ainda mais complicado.

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