Mensagens reveladas mostram preocupação de Bannon em manter sua ligação com o então candidato "nos bastidores" durante as eleições de 2018.
Steve Bannon, estrategista da ultradireita, mencionou Jair Bolsonaro em mensagens do caso Jeffrey Epstein, revelando a intenção de manter a conexão discreta em 2018.
Steve Bannon, um dos principais estrategistas da ultradireita global, afirmou a necessidade de “manter essa coisa do Jair [Bolsonaro] nos bastidores” em um diálogo revelado nos arquivos do caso Jeffrey Epstein. Os documentos, divulgados pelo governo Donald Trump nesta sexta-feira (30), trazem à tona conversas datadas de 12 de outubro de 2018, apenas cinco dias após o primeiro turno da eleição presidencial brasileira entre Jair Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT).
A identidade do interlocutor de Bannon está tarjada, mas é provável que seja o próprio Epstein, com base em outros contextos.
O caso Jeffrey Epstein ganhou notoriedade não apenas pela gravidade dos crimes – o financista é acusado de traficar mais de mil adolescentes em um esquema de coação – mas também pela associação com figuras públicas e poderosas. Epstein, que se suicidou na prisão em 2019 antes de ser julgado, teve seu nome ligado a personalidades como Donald Trump, que, apesar de prometer revelações durante sua campanha de 2024, relutou em liberar os arquivos quando esteve no poder. A divulgação destas mensagens amplia o escopo das conexões do bilionário.
Detalhes das Conversas e Conexões
Na troca de mensagens de 12 de outubro de 2018, a pessoa de identidade desconhecida expressa descontentamento com Bolsonaro ter chamado qualquer associação com Bannon de “fake news”, embora compreenda a postura. Bannon, por sua vez, responde: “Tenho de manter a coisa do Jair nos bastidores.
Meu poder vem de não ter ninguém me defendendo”. Dois dias antes, o mesmo indivíduo e Bannon haviam discutido o impacto da eleição brasileira.
O interlocutor, possivelmente Epstein, descreve Bolsonaro como um “divisor de águas” para o Brasil, livre de influências externas e com um potencial econômico “GIGANTE”. Bannon, então, revela sua proximidade com os “caras” e a consideração de atuar como conselheiro.
Em agosto daquele ano, Bannon já havia se encontrado com Eduardo Bolsonaro em Nova York. Na ocasião, o então deputado federal declarou que Bannon era um entusiasta de Jair Bolsonaro e que manteriam contato para “somar forças, principalmente contra o marxismo cultural”.
Em novembro, após as conversas reveladas, Eduardo Bolsonaro chegou a comparecer ao jantar de aniversário de Bannon em Washington, evidenciando a continuidade da relação.
Um terceiro documento, também parte dos arquivos divulgados, detalha uma conversa sobre uma possível visita de Bannon ao Brasil. Nele, uma pessoa sem nome, mas com número de telefone correspondente ao de Epstein em outros registros, discute com “Miro Lajcak” a ideia de Bannon visitar Bolsonaro.
Lajcak, que pode ser Miroslav Lajcak, chanceler da Eslováquia entre 2012 e 2020 e citado em diversos documentos do caso, sugere que a visita ocorra “depois do segundo turno” para maior segurança.
Em um quarto documento, datado de 9 de outubro de 2018, a pessoa não identificada aconselha Bannon sobre Bolsonaro: “se você está confiante de uma vitória, pode ser bom para a marca se você estivesse lá”. Bannon responde que “Pode ser que eu vá no sábado”.
O interlocutor, então, reitera a opinião de “Miro” sobre ser mais seguro ir ao Brasil após o segundo turno, antes da conversa mudar de assunto. As revelações sublinham a teia de relações e as estratégias políticas em um período crucial para a política brasileira e global.


