Após Derrotas, Eduardo Bolsonaro Impulsiona Flávio com Contatos Internacionais

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Filho do ex-presidente, sem mandato na Câmara, foca na articulação global da direita para fortalecer a pré-candidatura do irmão ao Planalto em 2026.

Eduardo Bolsonaro utiliza sua rede internacional para impulsionar a pré-candidatura do irmão Flávio ao Planalto, após recentes derrotas políticas.

Sem mandato na Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro tem redirecionado sua energia para uma nova missão: alavancar a carreira política de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Utilizando a influência e as alianças construídas ao longo dos anos na direita internacional, Eduardo agora foca em apresentar Flávio a lideranças globais, visando impulsionar sua pré-candidatura ao Planalto.

Recentemente, os irmãos empreenderam uma viagem ao Oriente Médio, que incluiu passagens por Israel e Bahrein, com planos de seguir para Emirados Árabes Unidos e Catar, e uma possível extensão pela Europa. Durante esses encontros, eles registraram reuniões com ao menos 16 autoridades, entre primeiros-ministros, presidentes, ministros e parlamentares. A viagem, inicialmente declarada como missão oficial de Flávio, teve sua duração estendida e parte das despesas custeadas com recursos próprios após a prorrogação.

A Articulação Global para o Planalto

Em um dos pontos altos da viagem, durante a Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo em Jerusalém, Flávio Bolsonaro fez uma declaração contundente: “Senhoras e senhores, eu discurso hoje não só como senador, mas como pré-candidato a presidente do Brasil”. Essa afirmação sublinha o objetivo principal da estratégia de Eduardo, que, apesar de ter sido cassado por excesso de faltas, continua sendo apresentado como parlamentar em eventos internacionais, reforçando sua rede de contatos.

Entre as personalidades encontradas, destacam-se o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, o presidente Isaac Herzog, o ex-primeiro-ministro da Áustria Sebastian Kurz, e o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama. A presença de figuras como o embaixador argentino Axel Wahnish, com quem postaram fotos compartilhadas pelo presidente Javier Milei, e deputados do Parlamento Europeu de partidos como o Vox espanhol e o Chega português, demonstra a amplitude da articulação.

Essa aproximação de Flávio com as articulações internacionais de Eduardo representa uma mudança em sua trajetória política. O senador, que não participou de comitivas bolsonaristas anteriores para denunciar supostas “ditaduras” no país, agora se engaja ativamente na diplomacia informal da direita.

Enquanto isso, Eduardo, que teve seu passaporte diplomático cancelado, busca transferir seu “capital político” internacional para o irmão.

O professor de relações internacionais David Magalhães, coordenador do Observatório da Extrema Direita, analisa a relevância dessa estratégia. “A articulação internacional é central para a extrema direita e para o bolsonarismo, porque a ascensão da ultradireita é um fenômeno global”, afirma.

Segundo Magalhães, o respaldo estrangeiro pode “reduzir o custo político” de posições radicais e construir uma “imagem de pertencimento a um campo político global” para os apoiadores ideológicos, com Eduardo sendo essencial nesse processo de transferência de legitimidade internacional para Flávio.

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