Obra estratégica para o desenvolvimento da Região Metropolitana, a dragagem do Rio Beberibe será licitada em valor de quase R$ 150 milhões, prometendo dignidade e proteção contra alagamentos.
A dragagem do Rio Beberibe, com investimento de R$ 147 milhões, promete transformar a Região Metropolitana do Recife, combatendo enchentes e restaurando a dignidade local.
Um dos significados atribuídos à palavra Beberibe, de raiz tupi, remete ao movimento das águas. Contudo, ao longo das décadas, o que se viu foi um movimento de descuido e abandono por parte do poder público e da população, transformando um dos mais importantes cursos d’água da Região Metropolitana do Recife em um leito de degradação.
Para as cidades do Recife e Olinda, o rio, que deveria ser um caminho de integração e desenvolvimento, tornou-se um beco sem saída, um cenário deplorável do ponto de vista ambiental e social.
O Beberibe, em muitos de seus trechos, virou um depósito de lixo e refugo humano, com margens estreitadas e um acúmulo de problemas que envergonham Pernambuco. Uma reportagem do JC de outubro de 2021 já retratava a condição dramática de mais de uma dezena de comunidades ribeirinhas, que sofrem com alagamentos e enchentes frequentes.
A Doutora em Geografia pela UFPE, Maria Goretti Cabral de Lima, chegou a descrever o rio como um “esgoto a céu aberto” em matéria anterior, evidenciando a gravidade da situação.
Agora, em um momento de esperança, a anunciada dragagem do Rio Beberibe surge como uma promessa de virada para o estado. Com um investimento de R$ 147 milhões, a maior obra do tipo em 40 anos, o projeto visa desassorear 5,5 quilômetros do rio, desde a zona norte da capital até a Escola de Aprendizes Marinheiros, em Olinda.
As intervenções incluem engenharia de macrodrenagem, dragagem por sucção e a recomposição e ampliação da calha do rio, buscando restaurar a autoestima perdida na correnteza das últimas décadas.
Pedro Ribeiro, secretário executivo de Periferias da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco, ressaltou a importância social da iniciativa. “A dragagem representa dignidade para quem vive às margens do Beberibe e convive, a cada inverno, com o medo da chuva e do rio. Estamos enfrentando um problema histórico com uma intervenção estruturadora. Cuidar do rio é, acima de tudo, cuidar das pessoas que vivem ao seu redor”, afirmou. A fala do secretário sublinha a necessidade de resgatar a dignidade da população, que aguarda o início e a conclusão dessas obras.
Um Futuro Mais Digno para as Margens do Beberibe
O projeto ambicioso não apenas busca reduzir os riscos de alagamento, mas também recuperar um rio que foi degradado, encolhido e desvirtuado ao longo do tempo. A remoção de resíduos sólidos e da vegetação excedente, aliada a ações de recuperação ambiental e urbana ao longo do trecho, são passos fundamentais para que o Beberibe possa, de fato, voltar a abrir caminhos.
A expectativa é que, com essa intervenção estrutural, o rio deixe de ser um obstáculo e se torne um vetor de desenvolvimento e qualidade de vida para as comunidades que o margeiam, reconectando-se com seu significado original de águas que fluem e movimentam a vida.


