Um estudo populacional realizado na Escócia traz novas evidências de que os efeitos da vacinação contra o papilomavírus humano, o HPV, são duradouros. A pesquisa acompanhou mais de 270.000 mulheres por até 12 anos após a imunização e mostrou uma redução sustentada das lesões cervicais de alto grau, alterações pré-cancerígenas diretamente ligadas ao risco de evolução para o câncer de colo do útero.
Essa doença ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Por aqui, é o 3º tipo de câncer mais incidente em mulheres, com 17.010 casos novos estimados por ano, no triênio 2023-2025.
Publicado em novembro, o estudo escocês mostra que mulheres vacinadas ainda na adolescência, especialmente entre 12 e 13 anos, apresentaram uma queda expressiva na incidência das chamadas lesões de alto grau (NIC 2 e NIC 3), que representam a maioria dos casos que, se não tratados a tempo, podem evoluir para a doença. A proteção da imunização se manteve ao longo do período avaliado, alcançando até 12 anos após a vacinação.
A ginecologista Renata Bonaccorso Lamego afirma que os dados confirmam a durabilidade da proteção da vacina. Ela também observa que a vacina pode ajudar a reduzir o risco de recorrência após tratamento de lesões em mulheres mais velhas e que já tiveram contato com o vírus.


