O carnaval em Olinda é descrito como a celebração mais bonita do mundo, segundo quem vive há 47 anos no Sítio Histórico da cidade. Desde 1977, quando começou a participar do bloco Eu Acho É Pouco, o morador optou por permanecer no local durante a folia, rejeitando viagens ao Recife Antigo ou ao Recifolia, evento realizado em Boa Viagem que considera uma aberração e distante da tradição olindense.
A paixão pelo carnaval local se expressa em detalhes como o sarapatel servido aos amigos na casa do morador e os bate-bates com maracujá. Em 1979, foi possível banir os carros das ruas do Sítio Histórico, ação oficializada pela prefeitura em 1980 para preservar a melodia natural dos blocos de frevo e troças, sem interferência de som mecânico.
Regras impostas por gestões municipais, como a da prefeita Luciana Santos em 2001, que limitou músicas consideradas destoantes, e o surgimento de camarotes e paredões de som, são criticados. Essas alterações afastam a festa da característica popular, espontânea e democrática que sempre a definiu, segundo quem acompanha sua história.
A transformação do Parque Memorial Arcoverde em espaço para um carnaval de público endinheirado, iniciada há mais de 15 anos com exibições do Cirque du Soleil, é apontada como outra ofensa ao tradicionalismo. O morador alerta para a necessidade de valorizar o carnaval olindense em sua forma original, sem a circulação de carros de som que atrapalhem a vivência popular nas ruas.


