O presidente Lula planeja incluir o fim da jornada de trabalho 6×1 como uma de suas principais bandeiras na campanha para reeleição, mesmo sem estudos consistentes que comprovem os efeitos econômicos da medida. A proposta, defendida pelo ministro Guilherme Boulos, tem origem em uma PEC apresentada pela deputada Erika Hilton, que foi apensada a outra de 2019 e conta com pouco detalhamento sobre os impactos.
A PEC de Hilton prevê a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, sem corte salarial, e foi apoiada em uma petição online com quase 800 mil assinaturas, ainda assim sem respaldo técnico aprofundado. A tramitação acelerada, em regime de urgência, poderia anular quatro outras PECs sobre o tema que estão em discussão desde 2015.
Centrais sindicais como CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova e CSB manifestaram apoio à proposta, mas alertaram o governo sobre o risco de trabalhadores não sindicalizados apresentarem novas demandas. Isso poderia enfraquecer a discussão histórica pela adoção da jornada 5×2, preferida pelos sindicatos.
Um único estudo técnico recente, divulgado após uma reunião entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, serve como base para a defesa do governo sobre a mudança. A redução seria discutida como uma jornada de quatro dias de trabalho e dois de folga, sem esclarecimentos definitivos sobre os desafios práticos da implementação.


