Lula tenta transformar festa popular em gesto simbólico de poder

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O Galo da Madrugada é um território simbólico onde política, cultura e poder se misturam diante de milhões de olhares. Em Pernambuco, poucas cenas produzem tanto impacto visual e narrativo quanto a imagem de líderes adversários lado a lado no meio do frevo.

Foi nesse cenário que Lula ofereceu uma demonstração de força silenciosa e colocou um oponente de cada lado. Suspendeu tensões visíveis e transmitiu a mensagem de que, sob sua presença, até as maiores brigas locais podem ser contidas. O gesto foi menos carnavalesco e mais estratégico, transformando festa popular em afirmação de autoridade nacional.

A vinda ao Galo da Madrugada foi decisão estratégica. A ausência, como chegou a ser cogitada, poderia ser lida como fuga diante da divisão entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD). A presença permitiu enquadrar a narrativa. Lula posicionou-se entre os dois adversários, literal e simbolicamente. A imagem construída foi de autoridade que impõe ordem e suspende tensões.

Lula tende a evitar presença física em Pernambuco durante o primeiro turno da eleição de 2026. Ao não escolher lado na disputa estadual, amplia o espectro de captação de votos para sua própria candidatura. O objetivo não é harmonizar o Estado, mas concentrar votos. A prioridade é blindar a reeleição e garantir que divergências regionais não a contaminem.

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