O Pátio do Terço, espaço histórico associado à resistência negra e à memória da escravidão na cidade, recebeu a Noite dos Tambores Silenciosos. Na edição deste ano, 41 nações de maracatu e dois afoxés participaram de uma celebração que mistura tradição religiosa e reverência aos ancestrais, mantendo a essência do ritual iniciado em décadas anteriores.
A cerimônia foi conduzida pelo babalorixá Jorge de Bessen, que assumiu a liderança após o falecimento de Tatá Raminho de Oxóssi, figura central que guiou o evento por anos até o final do ano passado. Sob sua orientação, a liturgia destacou a invocação de Iansã e a saudação aos eguns, espíritos dos antepassados, reforçando o elo entre o mundo material e o espiritual que define a Noite dos Tambores Silenciosos.
O evento reuniu crianças, jovens e adultos, consolidando a transmissão de uma tradição que ultrapassa cinco décadas. O público, formado por fiéis e curiosos, elogiou o papel do maracatu em comunidades periféricas como ferramenta de preservação cultural e inclusão social.
O encerramento marcou um momento de reflexão e simbolismo: às vésperas da meia-noite, as luzes foram apagadas e os tambores silenciados, enquanto cânticos ecoavam. Jorge de Bessen soltou pombas brancas, pedindo paz em um gesto que uniu o visual e o espiritual.


