A Polícia Civil do Amazonas executou nesta sexta-feira (20.fev.2026) uma operação contra uma estrutura supostamente ligada ao Comando Vermelho no Estado. Allan Kleber Bezerra de Lima, apontado como responsável pelo esquema, foi investigado por receber depósitos em espécie de traficantes de várias regiões do país, que variavam de R$ 100 mil a R$ 700 mil. Os recursos eram transferidos para empresas registradas em seu nome e de pessoas vinculadas financeiramente a ele, muitas operando como fachadas em Tabatinga, município na fronteira com a Colômbia.
A operação resultou na prisão de 14 pessoas, sendo 8 no Amazonas e 6 em outros Estados. As investigações indicam ramificações da facção em diferentes unidades da federação, com buscas por influência em instâncias dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Os crimes apurados incluem lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de violação de sigilo funcional. A Polícia Civil estima movimentação financeira de R$ 70 milhões relacionada ao grupo.
Análises detectaram repasses a servidores da Prefeitura de Manaus, Legislativo municipal, Judiciário estadual e das polícias Civil e Militar do Amazonas. Allan Kleber Bezerra de Lima teria afirmado possuir “tentáculos em todos os lugares” e garantir resolução de problemas mediante pagamento. A Polícia Civil ainda investiga a finalidade dos depósitos e o envolvimento dos servidores.
Entre os presos, estão Izaldir Moreno Barros, motorista da desembargadora Nélia Caminha Jorge do Tribunal de Justiça do Amazonas, e Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida. A Prefeitura de Manaus negou participação na operação, enquanto o TJ-AM abriu procedimento interno. A defesa de Anabela afirmou não ter acesso aos autos e solicitou respeito à presunção de inocência.


