Durante seu depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, João Accioly, presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários, descreveu o Caso Master como um exemplo de "alinhamento perverso" entre gestores e investidores. Ele explicou que o banco utilizava uma estratégia de ficção contábil, permitindo a emissão de CDBs com um balanço aparentemente robusto.
Accioly, que monitora o mercado de capitais desde 2022, afirmou que a CVM não omitiu informações, pois as irregularidades estavam ligadas a fundos exclusivos. O Banco Master, em vez de ser uma vítima de fraude, se posicionou como um promotor ativo de práticas questionáveis.
O balanço do Banco Master, publicado em dezembro de 2024, mostrou uma performance distinta em comparação com outros bancos, com R$ 18,37 bilhões em emissões de CDI e R$ 30,87 bilhões em CDBs, totalizando um passivo de R$ 58,27 bilhões. A estratégia de Daniel Vorcaro incluía a distribuição de títulos com prazos curtos, permitindo captar mais recursos com prazos maiores.
Esses títulos, no entanto, não eram garantidos por ativos reais e, ao invés de lastros seguros, o banco possuía R$ 8,57 bilhões a receber de usinas de açúcar falidas. Accioly destacou que o Banco Master não estava sendo enganado, pois seus diretores sabiam que os títulos vendidos com garantia do FGC não estavam aplicados em projetos reais, mas sim em uma estrutura de fundos fictícios.


