Cuidadores informais no Brasil: 90% são mulheres dedicadas a trabalho não remunerado

Estudo revela que a maioria dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, que dedicam mais de mil horas anualmente a essa atividade não reconhecida socialmente.

Pesquisa aponta que anualmente, as mulheres dedicam mais de mil horas ao cuidado de filhos, maridos ou pais, realizando um trabalho não remunerado e invisível socialmente. Valquiria Elita Renk, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, destaca que muitas mulheres interrompem seus estudos e atividades profissionais para assumir essa responsabilidade, que se torna um ciclo sem fim.

Além disso, Valquiria enfatiza a necessidade de reconhecimento social e financeiro para os cuidadores. Em comparação, países como Finlândia e Dinamarca têm políticas que pagam assistentes domésticos, enquanto na Espanha há compensação econômica para cuidadores familiares. No Brasil, a Política Nacional do Cuidado foi instituída, mas sua implementação ainda é tímida.

A pesquisadora ressalta que o cuidado envolve uma relação afetiva, indo além de simples tarefas. Ela argumenta que esse trabalho invisível é fundamental para a sociedade, pois mantém a engrenagem funcionando. A pesquisa incluiu 18 entrevistas com mulheres de áreas urbanas e rurais do Paraná e Santa Catarina, que revelaram a realidade das cuidadoras no país.

O trabalho do cuidado é considerado essencial, mas frequentemente negligenciado, com muitas mulheres internalizando essa função ao ponto de ela se tornar parte de suas vidas. A metodologia da pesquisa destacou a importância de se reconhecer o trabalho das cuidadoras como uma atividade digna de valorização e compensação.

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