A Comarca de Flores inicia um novo capítulo em sua trajetória no Judiciário com a saída da juíza Ana Carolina Santana, magistrada que se tornou uma das figuras mais marcantes da história recente da região. A transferência, oficializada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), encerra um período de forte atuação judicial, reconhecido tanto pela agilidade nos processos quanto pela proximidade com a população do Sertão do Pajeú.
Durante sua passagem pelo município, a magistrada ganhou notoriedade pela condução de casos de grande repercussão social, especialmente relacionados à violência contra a mulher. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 2025, durante o julgamento de um feminicídio registrado no Distrito de Fátima, em Flores. O crime, que chocou a população, envolveu a morte de Samara pelo ex-companheiro, na presença dos filhos do casal.
O júri ultrapassou os limites do estado e ganhou repercussão nacional, sendo destaque em programas jornalísticos da televisão brasileira, entre eles o Profissão Repórter, da Grupo Globo. Na ocasião, a juíza emocionou o plenário ao apresentar uma carta direcionada à vítima durante a leitura da sentença.
Em um dos trechos mais marcantes, a magistrada destacou: “Querida Samara, assim como você, eu sou mulher e mãe, mas, diferente de você, estou viva. Hoje, você foi absolvida. Você não teve culpa do que lhe aconteceu.”
A postura humanizada adotada pela juíza repercutiu entre operadores do Direito e movimentos de defesa das mulheres, consolidando sua atuação como referência no combate à violência doméstica. Além das decisões judiciais, Ana Carolina Santana também esteve à frente de iniciativas voltadas à reeducação de agressores e ao acolhimento de vítimas, ações que passaram a ser consideradas modelos dentro da estrutura judicial pernambucana.
Com a saída da magistrada para o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), por meio de processo de permuta entre tribunais, a Vara Única de Flores já tem novo titular definido. O posto será assumido pelo juiz Augusto José de Souza Carvalho.
O novo magistrado chega ao Sertão pernambucano vindo justamente da estrutura do Judiciário sergipano. Conforme publicação no Diário da Justiça Eletrônico, edição nº 109/2026, Augusto José passa a integrar o quadro de magistrados de Pernambuco na categoria de Juiz de Direito de 1ª Entrância.
A mudança representa não apenas uma transição administrativa na comarca, mas também o encerramento de um período que marcou profundamente a história jurídica e social de Flores.