A jornalista Ju Massaoka trouxe à tona uma questão preocupante para aqueles que realizaram rinoplastias ou outros procedimentos estéticos faciais no passado. Recentemente, ela revelou em suas redes sociais que havia encontrado PMMA (polimetilmetacrilato) em seu nariz sem ter dado consentimento para tal aplicação, uma situação que quase comprometeu a estrutura de seu nariz e a levou a buscar tratamento.
Em resposta a essa situação alarmante, especialistas como a cirurgiã plástica e otorrinolaringologista Carine Barreto Gonzaga explicaram que existem ferramentas diagnósticas que podem ajudar a identificar a presença de materiais indesejados. Eles também ressaltaram a importância do histórico médico do paciente, que deve incluir informações sobre os produtos utilizados em procedimentos anteriores.
O PMMA é um material permanente composto por microesferas sintéticas, sendo contraindicado para uso estético facial, especialmente na região nasal, onde a vascularização é complexa. A presença desse material pode acarretar riscos significativos à saúde, o que torna fundamental que os pacientes conheçam seus direitos, incluindo a possibilidade de exigir o prontuário e etiquetas de rastreabilidade que informem sobre o lote, fabricante e composição do produto aplicado.
Quando o histórico médico não está acessível, exames de imagem como ultrassonografia, ressonância magnética e tomografia podem ser utilizados para mapear as substâncias infiltradas. Contudo, a remoção do PMMA não é uma tarefa simples. O material se integra profundamente aos músculos e tecidos, e a tentativa de retirada total pode resultar em riscos sérios, como necrose ou outras sequelas.
Os especialistas afirmam que a cirurgia de remoção do PMMA é recomendada apenas em casos onde há infecção, dor persistente ou comprometimento estético e funcional progressivo. Se o paciente estiver estável e sem inflamações ativas, muitas vezes a opção mais segura é não realizar nenhum procedimento.
A remoção do PMMA pode levar a cicatrizes e retrações, exigindo, em alguns casos, reconstruções delicadas. Quando a remoção completa é considerada arriscada, o foco do tratamento se volta para o controle da inflamação crônica, utilizando antibióticos, corticoides, imunomoduladores e terapias regenerativas, além de tecnologias como laser e ultrassom microfocado, com o objetivo de preservar a função e a estética facial a longo prazo.