A Raízen está em processo de negociação para concluir um acordo de reestruturação financeira até 8 de junho de 2026, com o objetivo de evitar um pedido de recuperação judicial. A companhia discute com seus credores uma solução que envolve aportes significativos, venda de ativos e a conversão parcial de dívidas em ações da empresa.
Na última quinta-feira, 28 de maio de 2026, as ações da Raízen sofreram uma queda de 19,04% na B3, encerrando o pregão a R$ 0,34, após a divulgação dos termos das negociações com os credores. Na sexta-feira seguinte, houve uma leve recuperação, com alta de 8,82%, enquanto as ações da Cosan apresentaram uma queda de 3,04%.
O plano de recuperação extrajudicial da Raízen envolve um passivo que ultrapassa R$ 65 bilhões, posicionando a operação como uma das maiores reestruturações corporativas do país. A proposta mais avançada inclui um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, que declarou apoio ao processo de recuperação financeira da empresa.
Em nota, a Shell afirmou que esse processo é uma medida necessária para enfrentar os desafios financeiros da Raízen e apoiar sua recuperação. Além disso, outra alternativa em discussão envolve um aporte adicional de cerca de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, holding da família de Rubens Ometto.
A proposta mais relevante aos credores sugere a conversão de 45% da dívida reestruturada em ações da Raízen, ao preço de R$ 0,25 por ação, o que representa um desconto em relação à cotação de mercado. Essa conversão diluiria as participações acionárias da Cosan e da Shell na empresa.
As negociações mudaram de direção após os fundos ligados ao BTG Pactual desistirem de um investimento direto de R$ 5,5 bilhões na operação de combustíveis da Raízen. O banco, que não é um credor da companhia, estava liderando uma operação de capitalização na Cosan, que totalizou R$ 10 bilhões. O BTG aportou R$ 4,5 bilhões, enquanto a Perfin investiu R$ 2 bilhões e a Aguassanta Participações aplicou R$ 750 milhões.