A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) iniciou, nesta terça-feira (2/6), a Operação Riqueza Sombria, que visa desmantelar uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro para o Comando Vermelho (CV). As investigações revelaram que o grupo movimentou mais de R$ 116 milhões e possui ligações em várias localidades, incluindo Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
Até o momento, duas prisões em flagrante foram realizadas no Mato Grosso do Sul. Os detidos foram identificados como Gilmar Santos da Silva, capturado em Sete Quedas, e Claudio Marteinelli Neto, que foi preso em Campo Grande. Além das prisões, os investigadores estão cumprindo mandados de busca e apreensão em diferentes cidades dos estados mencionados.
As investigações tiveram início após uma operação em julho de 2020 na comunidade do Tatão, localizada em Anchieta, Zona Norte do Rio. Durante essa ação, as autoridades apreenderam não apenas drogas, mas também rádios comunicadores, um simulacro de arma de fogo e diversos comprovantes bancários que levantaram suspeitas sobre a movimentação financeira do grupo.
De acordo com os investigadores, a organização utilizava a técnica conhecida como “smurfing”, que consiste em realizar múltiplos depósitos de pequeno valor para evitar a detecção pelos sistemas de controle financeiro. Após essa fase, o dinheiro era redistribuído por uma complexa rede financeira, tornando difícil o rastreamento da origem ilícita dos recursos.
Relatórios de Inteligência Financeira apontaram que uma parte significativa dos valores movimentados tinha como destino o município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, uma região estratégica para o tráfico de drogas e armamentos, devido à sua proximidade com a fronteira com o Paraguai. As investigações indicam que, além da entrada de drogas no Brasil, o dinheiro obtido com a venda dos entorpecentes também seguia o caminho inverso, retornando ao Rio de Janeiro.
Outro ponto destacado pelos investigadores é que muitos beneficiários dos depósitos apresentavam declarações de baixa renda, mas suas movimentações financeiras eram incompatíveis com essa condição. Um dos alvos da investigação, por exemplo, recebeu 54 depósitos em espécie que totalizaram quase R$ 68 mil ao longo de quatro anos. No total, a apuração revelou uma movimentação superior a R$ 116,6 milhões entre os anos de 2017 e 2021, com um aumento significativo nas operações a partir de 2019.