O BRASIL poderá ter que importar petróleo até 2040 se não houver progresso nas descobertas de novas reservas de óleo e gás nos próximos anos. Essa afirmação foi feita na segunda-feira (8.jun.2026) pelo diretor do Departamento de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural do MME (Ministério de Minas e Energia), Carlos Onofre.
De acordo com projeções governamentais, o país necessita urgentemente de novas reservas até 2030 para sustentar sua Produção de Petróleo e Gás Natural. Nos últimos anos, o BRASIL não registrou novas descobertas significativas. Onofre destacou que, apesar do sucesso da produção no pré-sal, conduzida pela Petrobras, a falta de novas grandes descobertas pode levar o BRASIL a se tornar dependente de importações. "Isso é questão de segurança energética, isso é questão de divisas para o país", afirmou durante a 3ª Cúpula Regional de Metano da América Latina e Caribe, realizada em Brasília.
Atualmente, o BRASIL produz em média 3,77 milhões de barris de petróleo por dia, estabelecendo recordes consecutivos nos últimos meses. A previsão da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) indica que essa produção pode alcançar 5,3 milhões de barris por dia até 2030, com quase dois terços desse volume oriundo do pré-sal. Para manter esse nível de produção, novas frentes produtivas precisam ser implementadas a partir de 2031. Caso contrário, as estimativas indicam uma queda para 5,1 milhões de barris/dia em 2034 e para 1,4 milhão em 2040.
As projeções não consideram ainda o potencial da Margem Equatorial, que está em fase de pesquisa exploratória. Esta área, que conta com autorizações para a perfuração de poços em alto-mar pela Petrobras, pode conter reservas entre 10 a 30 bilhões de barris de óleo equivalente. Os primeiros resultados das pesquisas na região devem ser divulgados em breve.
Outra área com potencial significativo é a Bacia de Pelotas (RS), que possui uma estimativa de 15 bilhões de barris. As operações de prospecção na região, que se estende da costa do Rio Grande do Sul até Santa Catarina, têm início previsto para 2028.
Durante a abertura da cúpula, Onofre e outros representantes do MME ressaltaram que o BRASIL tem como meta atingir o "Net Zero" até 2050. Essa meta de equilíbrio nas emissões líquidas de gases de efeito estufa, que começou a ser discutida globalmente em 2015 com o Acordo de Paris, visa garantir que as emissões sejam compensadas ou removidas da atmosfera. O objetivo do BRASIL é alcançar essa meta sem comprometer a robustez da produção de óleo e gás.