Os cinco maiores bancos de capital aberto do Brasil, que incluem Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander Brasil, já alocaram recursos superiores aos acionistas durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em comparação ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Um levantamento realizado pela consultoria Elos Ayta revela que esses bancos desembolsaram R$ 195,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCPs) entre janeiro de 2023 e março de 2026, um aumento de 24,2% em relação aos R$ 157,5 bilhões pagos entre 2019 e 2022. Essa análise considera os valores que foram efetivamente creditados aos investidores, excluindo os montantes apenas anunciados ou aprovados.
De acordo com a Elos Ayta, esse crescimento nos pagamentos é reflexo de um período de alta rentabilidade do setor financeiro. Entre 2022 e 2025, os bancos se beneficiaram de taxas de juros elevadas e reportaram resultados recordes, aumentando assim sua capacidade de remunerar os acionistas. O CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, afirmou que o crescimento dos pagamentos reflete tanto os resultados robustos quanto a habilidade das instituições em converter lucros em retorno direto para os investidores.
O ano de 2025 se destacou como o período com o maior volume de distribuições na série analisada. Os cinco bancos mencionados desembolsaram R$ 85,3 bilhões em dividendos e JCPs, estabelecendo um novo recorde. O Itaú Unibanco foi o principal responsável por essa distribuição, tendo destinado R$ 48,9 bilhões em 2025, o que representa mais da metade do total pago por todos os bancos nesse ano. Desde 2019, o Itaú é responsável por 38,8% do total de dividendos e JCPs distribuídos pelas instituições avaliadas.
O BTG Pactual apresentou a maior expansão proporcional entre os bancos, com os pagamentos saltando de R$ 4,9 bilhões durante o governo Bolsonaro para R$ 12,3 bilhões entre 2023 e o primeiro trimestre de 2026, resultando em um crescimento de 149,4%. O Banco do Brasil também aumentou suas distribuições, passando de R$ 33,5 bilhões para R$ 42,8 bilhões, o que representa uma alta de 27,9%. Contudo, tanto o Santander Brasil quanto o Bradesco registraram volumes de distribuição inferiores aos do governo anterior, embora a comparação não leve em conta os três últimos trimestres de 2026.
A consultoria Elos Ayta analisou os pagamentos feitos por Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander Brasil entre janeiro de 2019 e março de 2026, focando exclusivamente nos dividendos e juros sobre capital próprio que foram efetivamente pagos aos acionistas. Os proventos que apenas foram anunciados, aprovados ou declarados, mas ainda não desembolsados, foram excluídos da contabilização para que o levantamento reflita o fluxo real de recursos transferidos aos investidores. Além disso, a Elos Ayta sugere que parte do crescimento observado em 2025 pode estar relacionada à antecipação de dividendos em meio a discussões sobre possíveis mudanças na tributação dessa forma de remuneração.