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Notificações de violência contra idosos crescem mais de 500% em Pernambuco em dez anos

Segundo o levantamento, Pernambuco registrou 351 notificações em 2014 e, em 2024, esse número chegou a 2.152 casos. O estado ocupa a oitava posição...

Segundo o levantamento, Pernambuco registrou 351 notificações em 2014 e, em 2024, esse número chegou a 2.152 casos. O estado ocupa a oitava posição do país em números absolutos de notificações, atrás apenas de unidades federativas mais populosas, como São Paulo (7.328), Paraná (3.418), Rio de Janeiro (3.267) e Minas Gerais (2.674).

Quando analisada a taxa por 100 mil habitantes, indicador que permite comparações mais precisas entre estados com populações diferentes, Pernambuco registrou 151,4 notificações para cada 100 mil habitantes em 2024. O índice é 71% superior à média brasileira, que ficou em 88,4 casos por 100 mil habitantes.

Em 2024, Pernambuco apresentou a quinta maior taxa de notificações de violência interpessoal contra idosos entre as unidades da federação. Ficou atrás apenas de Mato Grosso do Sul (310,5), Tocantins (202,5), Paraná (172,1) e Espírito Santo (159,9).

Em 2014, a taxa estadual era de 33 notificações por 100 mil habitantes. Dez anos depois, chegou a 151,4, um crescimento de 358,8%. O aumento foi quase três vezes superior ao observado no Brasil, onde a taxa passou de 38,6 para 88,4 notificações por 100 mil habitantes no mesmo período, alta de 129%.

Mesmo em comparação com os últimos cinco anos, Pernambuco manteve tendência de crescimento. Entre 2019 e 2024, a taxa aumentou 37,6%, enquanto o número absoluto de notificações cresceu 47,7%.

Entre 2023 e 2024, o estado registrou nova alta, ainda que mais moderada, com os casos passando de 1.993 para 2.152, representando um aumento de 8%. A taxa por 100 mil habitantes subiu 4,2% no período.

Os dados do Atlas mostram que a violência não letal contra idosos vem crescendo em todo o país. O número de notificações passou de 9.223 em 2014 para 30.097 em 2024, crescimento de 226,3%.

A taxa nacional também mais que dobrou no período, saindo de 38,6 para 88,4 notificações por 100 mil habitantes.

Em contrapartida, o levantamento aponta uma redução dos homicídios de idosos. Entre 2014 e 2024, o número de assassinatos de pessoas com mais de 60 anos caiu 13,3% no Brasil, enquanto a taxa de homicídios diminuiu 39,2%, reflexo também do crescimento acelerado da população idosa.

Em 2024, o país registrou 2.007 homicídios de idosos, com taxa de 5,9 mortes por 100 mil habitantes nessa faixa etária.

A campanha do Junho Violeta foi criada para conscientizar a sociedade sobre os diferentes tipos de violência praticados contra idosos, como agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, negligência, abandono e violência institucional.

A mobilização é realizada em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Atlas da Violência destaca que o enfrentamento da violência contra idosos exige ações articuladas entre saúde, assistência social, segurança pública e justiça.

Entre as medidas consideradas mais eficazes estão o fortalecimento da rede de proteção prevista no Estatuto da Pessoa Idosa, a ampliação dos canais de denúncia, programas de envelhecimento ativo e iniciativas de acompanhamento familiar e comunitário.

Por Diário de Pernambuco

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