Um novo estudo sugere que o horário em que as pessoas se exercitam pode ter um impacto significativo na saúde. Publicado em abril na revista Open Heart, a pesquisa observou que indivíduos que praticavam atividade física em horários que respeitam seu relógio biológico apresentaram benefícios mais expressivos para o coração, metabolismo, condicionamento físico e qualidade do sono.
A pesquisa acompanhou 150 adultos sedentários, com idades entre 40 e 60 anos, por um período de 12 semanas. Os participantes foram divididos em grupos de acordo com seus cronotipos, sendo matutinos ou vespertinos, e realizaram exercícios em horários que estavam alinhados ou desalinhados com o funcionamento natural do organismo. Os resultados mostraram que aqueles que treinaram em sintonia com seu relógio biológico tiveram melhora significativa em indicadores cardiovasculares e metabólicos, além de avanços no condicionamento físico e na qualidade do sono.
O cardiologista Israel Guilharde Maynarde, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, explica que essa relação entre o exercício e o relógio biológico é fundamentada em aspectos clínicos. Ele destaca que o organismo não opera da mesma forma ao longo do dia, já que a pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura corporal e metabolismo passam por variações naturais, guiadas pelo ritmo circadiano. Conhecer essas diferenças pode ser crucial, pois quem se sente mais disposto pela manhã tende a ser matutino, enquanto aqueles que se sentem mais produtivos à noite são geralmente vespertinos.
Entre os participantes hipertensos do estudo, aqueles que se exercitaram em horários adequados ao seu cronotipo mostraram melhorias na pressão arterial sistólica, um fator importante, pois níveis elevados deste indicador podem aumentar o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doenças renais. Maynarde ressalta que, embora a prática de exercícios matinais seja debatida em estudos anteriores, esta pesquisa reforça a importância de respeitar o relógio biológico no contexto da atividade física.
O estudo também revelou que a qualidade do sono melhorou de forma significativa entre os participantes que se exercitaram em consonância com seu cronotipo. Esse achado faz sentido, uma vez que a atividade física pode ajudar a regular o relógio biológico. Maynarde menciona que a exposição à luz natural pela manhã, a adoção de horários regulares para dormir e comer, bem como a manutenção de uma rotina de exercícios, são elementos que contribuem para ajustar o ritmo circadiano.
Por fim, o cardiologista destaca que o exercício matinal não representa um risco para pessoas que já estão habituadas à prática regular de atividades físicas. O maior perigo reside em indivíduos sedentários com problemas cardíacos que realizam esforços intensos abruptamente. Para aqueles que se exercitam de maneira progressiva e com aquecimento, os treinos pela manhã podem ser seguros e até proporcionar melhores respostas fisiológicas, especialmente para os matutinos.