A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) gravou e divulgou um vídeo que contém críticas contundentes ao enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que levanta questões sobre suas intenções políticas em relação ao futuro do bolsonarismo. A situação atual sugere que Flávio, filho de Jair Bolsonaro, deve seguir com sua candidatura ao Palácio do Planalto em 2026, o que coloca a mensagem de Michelle em um contexto de possíveis consequências adversas para o próprio bolsonarismo, especialmente em relação a Lula, que é visto como o principal opositor do grupo.
A divulgação do vídeo ocorre em um momento estratégico, coincidente com a saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo Lula no Senado. Esse timing pode indicar que Michelle já percebeu um enfraquecimento do bolsonarismo, um fenômeno comum em movimentos populistas quando suas lideranças são removidas do cenário político, resultando em uma luta pelo espaço e poder.
Desde 2018, o bolsonarismo se consolidou em torno da figura de Jair Bolsonaro, que, junto a seus filhos, tem marginalizado outras lideranças que poderiam emergir. Entre essas figuras estão Sergio Moro (PL-PR) e Nikolas Ferreira (PL-MG), que em diferentes momentos foram afastados da cena política. Atualmente, a situação de Jair Bolsonaro se mostra delicada, com a possibilidade de retorno ao regime fechado e enfrentando problemas de saúde decorrentes de um ataque sofrido durante a campanha de 2018.
Nesse contexto, o vídeo de Michelle pode ser interpretado como uma tentativa de se distanciar de Flávio e assegurar um espaço próprio no cenário político. Essa ação poderia facilitar uma fragmentação do bolsonarismo, possibilitando o surgimento de um novo movimento em torno de uma ideologia chamada “michelismo”. Na visão de Michelle, personagens como Daniel Vorcaro e seus aliados, assim como Flávio e Eduardo Bolsonaro, não têm lugar em sua proposta política, que busca se distanciar de figuras que possam ser consideradas traidoras do movimento.
Por outro lado, a ex-primeira-dama parece abrir espaço para alianças com figuras como Damares Alves (Republicanos-DF), as quais foram criticadas pelos filhos de Jair. A situação interna do PL também está em jogo. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, tenta gerenciar as tensões dentro do clã Bolsonaro, uma vez que a sigla se transformou em um importante ator da direita no Brasil.
Valdemar, em uma postura pragmática, busca preservar os ganhos eleitorais da direita unificada, embora reconheça que esse equilíbrio pode se alterar em função de uma possível derrota eleitoral de Flávio. O insucesso de Flávio poderia deixar ele e Eduardo sem mandato, enquanto Carlos pode ter uma chance de se eleger senador por Santa Catarina, e Jair Renan continua como vereador em Balneário Camboriú. Nesse cenário, o PL precisaria reavaliar suas lideranças, com Michelle emergindo como uma alternativa viável, menos rejeitada pelo eleitorado feminino e com um discurso que visa preservar a essência do bolsonarismo, sem se comprometer com alianças consideradas traiçoeiras.