A proposta de CONCESSÃO privada do METRÔ do RECIFE, que conta com investimentos do governo federal na ordem de R$ 4 bilhões para sua reestruturação, traz expectativas de crescimento da demanda de passageiros que podem ser consideradas modestas. A previsão é que o número de usuários aumente em média 30%, passando de 168 mil para cerca de 250 mil passageiros diários.
Técnicos em transporte expressaram suas preocupações em um seminário realizado na sede da Fiepe, em Santo Amaro, no RECIFE, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE). Durante o evento, foi destacado que a baixa expectativa de aumento da demanda se deve à falta de expansão da rede metroviária na Região Metropolitana do RECIFE, um aspecto que não está contemplado no modelo de Parceria Público-Privada (PPP) desenvolvido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).
Os especialistas ressaltaram que a expectativa de crescimento de 30% na demanda é insuficiente para justificar um contrato de CONCESSÃO com duração de 30 anos. A crítica central gira em torno da falta de ambição do projeto em explorar todo o potencial do sistema ferroviário, especialmente em um contexto marcado por uma crise operacional severa, evidenciada por descarrilamentos e tragédias recentes. Atualmente, o METRÔ do RECIFE funciona em condições precárias e no limite do sucateamento.
Marcelo Bruto, secretário executivo de Parcerias e Projetos Estratégicos de Pernambuco, apresentou a situação atual da MODELAGEM da CONCESSÃO, contextualizando as decisões da gestão diante de um cenário que ele caracterizou como uma "conjugação de pelo menos três crises": a diminuição da demanda de usuários após a pandemia, o financiamento restrito e a governança defasada. Bruto mencionou que o sistema enfrenta um subinvestimento que se arrasta por mais de uma década, o que acentua a crise da MOBILIDADE URBANA na região.
Para garantir a operação do sistema, o estado utilizará recursos blindados do Fundo de Participação do Estado (FPE) como garantia FINANCEIRA. A Agência Reguladora de Pernambuco (ARPE) será responsável por fiscalizar o cumprimento de indicadores de desempenho, que incluem o tempo médio de percurso e a satisfação dos usuários. Caso as metas de qualidade não sejam atingidas, a agência poderá aplicar sanções ou reduzir a remuneração da empresa responsável pela CONCESSÃO.
Apesar das promessas de redução no tempo de espera e melhoria no conforto dos usuários, a proposta de CONCESSÃO é vista como conservadora em RELAÇÃO à INTEGRAÇÃO URBANA. A decisão de manter o modelo baseado na atual rede de ônibus, postergando mudanças na INTEGRAÇÃO, foi justificada por Bruto como uma escolha mais segura para evitar riscos nos primeiros anos da CONCESSÃO. No entanto, críticos apontam que essa abordagem cautelosa, somada à baixa projeção de demanda, pode restringir os benefícios esperados, resultando em um METRÔ do RECIFE requalificado, mas ainda subutilizado frente ao verdadeiro desafio de MOBILIDADE no Grande RECIFE.