Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada na última sexta-feira (3), indica que a identificação dos brasileiros com a direita superou a da esquerda pela primeira vez desde 2014. De acordo com os dados, 44% dos entrevistados se posicionam à direita ou centro-direita, enquanto 39% se identificam à esquerda ou centro-esquerda, com 17% se colocando no centro. Essa diferença de cinco pontos percentuais ultrapassa a margem de erro de dois pontos, sugerindo um reposicionamento significativo do eleitorado em comparação com 2022, quando a esquerda representava 49% e a direita, 34%, durante o governo Jair Bolsonaro.
O levantamento se baseou em um questionário que continha 16 afirmações sobre valores sociais, culturais e econômicos. Dentre essas, dez questões abordavam comportamentos relacionados a armas, criminalidade, homossexualidade, religião e pobreza, enquanto as seis restantes focavam em aspectos econômicos, como impostos, leis trabalhistas e o papel do Estado. A pesquisa foi realizada presencialmente com 2.004 eleitores com idade a partir de 16 anos, abrangendo 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho. O registro da pesquisa no TSE é feito sob o código BR-09956/2026.
Uma das principais mudanças observadas diz respeito ao eixo comportamental. No levantamento de 2022, a direita e a esquerda estavam tecnicamente empatadas nesse aspecto, com 39% e 42%, respectivamente. No novo levantamento, os números mostram que a direita alcançou 52%, enquanto a esquerda caiu para 29%, com 20% dos entrevistados se posicionando no centro. No âmbito econômico, as preferências associadas à esquerda continuam sendo majoritárias, sugerindo que a mudança ideológica se concentra em pautas de costumes, segurança e valores, sem afetar as visões sobre o papel do Estado na economia.
Além disso, a percepção sobre a posse de armas também apresentou mudanças significativas. Em 2022, 63% dos entrevistados eram favoráveis à proibição da posse de armas, enquanto 35% apoiavam o direito à posse legal. No levantamento mais recente, 55% defendem a proibição, enquanto 41% apoiam o direito à posse legalizada. A avaliação das causas da pobreza também sofreu alterações, com a parcela que atribui a situação à preguiça de quem não quer trabalhar quase dobrando, passando de 22% para 40%. Em contrapartida, 58% dos entrevistados agora creditam a pobreza à falta de oportunidades, comparado a 76% em 2022.
Na segmentação em cinco grupos, a pesquisa anterior do Datafolha, realizada em 2022, mostrou que 9% dos entrevistados se identificavam com a direita, 24% com a centro-direita, 17% com o centro, 32% com a centro-esquerda e 17% com a esquerda. No levantamento atual, esses números foram alterados para 15% à direita, 29% na centro-direita, mantendo os percentuais de centro, centro-esquerda e esquerda em 17%, 32% e 17%, respectivamente.