A insuficiência cardíaca pode se manifestar através de sintomas comuns como dificuldade respiratória durante atividades físicas, fadiga muscular e retenção de líquidos. Esses sinais, muitas vezes, são confundidos com efeitos do sedentarismo ou do envelhecimento. O cardiologista Marcus Simões, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), destaca a importância de buscar orientação médica ao apresentar tais sintomas.
Durante atividades físicas, o coração precisa trabalhar mais para bombear sangue, e a falta de capacidade neste momento pode ser um indicativo de problemas cardíacos. Simões enfatiza que essa condição é mais prevalente entre idosos e mulheres, e normalmente surge como consequência de outras doenças cardíacas, como sequelas de infartos.
Além disso, a insuficiência cardíaca pode ocorrer quando uma válvula do coração apresenta problemas, ou em decorrência de doenças crônico-degenerativas como diabetes e hipertensão, que danificam progressivamente o músculo cardíaco. O médico também menciona doenças regionais, como a doença de Chagas, que podem contribuir para o desenvolvimento da condição.
Conforme os sintomas começam a surgir, o coração perde a capacidade de receber e bombear sangue adequadamente, resultando em um quadro que pode se agravar com o tempo. Quando não tratado, o paciente pode enfrentar um quadro agudo, que geralmente requer internação. De acordo com a SBC, cerca de 30% dos casos de descompensação estão relacionados à interrupção do tratamento, sendo que a piora da condição pode ser desencadeada por infecções, arritmias, hipertensão, infartos e miocardite.
A reabilitação física é uma medida essencial para o controle da doença, pois tanto o coração quanto a musculatura esquelética necessitam de atividade física. O objetivo é aliviar os sintomas e proporcionar ao paciente a possibilidade de realizar exercícios de forma gradual, visando a recuperação da qualidade de vida.
Essas orientações serão incorporadas na nova diretriz brasileira para o tratamento da insuficiência cardíaca, que será lançada em outubro. O documento reunirá as evidências científicas mais recentes para guiar a prática clínica dos profissionais de saúde e será apresentado durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que ocorrerá no Rio de Janeiro.