O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, esclareceu em entrevista que nunca teve acesso a uma cota de emendas do Congresso Nacional. Ele atribuiu a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que bloqueou recursos vinculados a ele, a uma interpretação errônea de sua função na distribuição das verbas. Na sexta-feira, 10 de julho, a decisão de Flávio Dino suspendeu emendas que estavam sob suspeita de serem indicadas diretamente pelo dirigente, que não exerce cargo eletivo. A Procuradoria Geral da República se posicionou contra essa medida.
Valdemar explicou que seu trabalho envolve acolher prefeitos, identificar demandas e sugerir aos líderes da bancada e presidentes de comissões que encaminhem as emendas. Ele enfatizou que a decisão final sobre as emendas é responsabilidade dos congressistas, afirmando que esse processo é comum entre presidentes de partidos. "Todos os presidentes fazem isso. Isso é natural. Não é uma determinação, mas uma sugestão que fazemos, e o líder decide acatá-la ou não", disse.
Em sua fala, Valdemar destacou que as regras atuais para emendas são adequadas, posicionando-se como uma espécie de maestro que organiza as sugestões conforme as demandas dos prefeitos. Ele recordou que no passado havia a ideia de que cada presidente de partido tivesse uma cota, a qual ele se opôs. "Falei: ‘Para mim não precisa dar’. Porque os deputados sempre buscam me ouvir, e acabam atendendo parte de nossas sugestões. Nunca tive problemas nesse contexto”, afirmou.
O presidente do PL ressaltou que não tem autoridade para indicar os recursos diretamente. "Recebo os prefeitos que vêm me procurar quando não conseguem apoio de deputados para suas emendas. Se a solicitação é pertinente, coloco na lista e sugiro à liderança e à comissão. O líder é quem realiza o encaminhamento, não sou eu", esclareceu. Para Valdemar, a interpretação do ministro Flávio Dino pode ter levado à conclusão de que existia uma cota formal sob seu controle, o que ele nega categoricamente.
“Eu não tenho cota nenhuma e continuarei a trabalhar da mesma maneira”, enfatizou. Durante a entrevista, Valdemar também comentou sobre uma pesquisa que indicava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ligeiramente à frente do presidente Luiz Inácio Lula nos cenários de primeiro e segundo turnos, com Flávio alcançando 45% e Lula 42%.
Valdemar expressou preocupação com o que considera uma tentativa de deslegitimar a direita política. "Eles querem acabar com a gente. Querem prejudicar a direita. A guerra é essa aí", declarou. Além disso, ele criticou a cobertura de certos veículos de comunicação em relação ao caso, alegando que algumas redações não o contataram para entrevistas antes da publicação dos artigos.