O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está considerando uma nova abordagem para aumentar a participação do Estado na mineração, com foco nos minerais críticos. Em uma reunião realizada no Palácio do Planalto, no dia 10, Lula e seus assessores discutiram a possibilidade de acionar a BNDESPar e a Petrobras para investir em projetos relacionados a esses minerais, além de estabelecer linhas de crédito para pesquisas de prospecção.
Os minerais críticos são essenciais para a fabricação de equipamentos e tecnologias, especialmente em áreas como a transição energética e a defesa. A designação "críticos" refere-se aos desafios enfrentados em seu fornecimento, que incluem a concentração da produção em poucos países e as dificuldades no processo de refino.
Participantes da reunião destacaram o entusiasmo de Lula em relação à exploração desses minerais, visando não apenas o beneficiamento em território nacional, mas também a criação de uma indústria voltada para as terras raras. Essa estratégia é comparada ao período da descoberta do pré-sal, em 2006, durante o primeiro mandato do presidente.
A proposta envolve a Petrobras como investidora, ao lado da BNDESPar, em um novo fundo de participação acionária. A intenção não é transformar a estatal em operadora de minas, mas sim utilizar sua expertise e recursos para financiar projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento da indústria nacional.
Após décadas afastada do setor mineral, a participação da Petrobras marca um retorno significativo, especialmente após a sua saída da exploração de potássio. O acordo estabelecido com a Vale visa focar em minerais estratégicos que são cruciais para a transição energética, a descarbonização e a produção de fertilizantes, com o fundo podendo mobilizar até R$ 1 bilhão, sendo que tanto a BNDESPar quanto a Vale devem aportar R$ 250 milhões cada.
Durante a reunião, Lula também fez uma crítica à dependência externa do Brasil e ressaltou a importância de fomentar a autonomia financeira e tecnológica do País. Ele provocou os Estados Unidos, que demonstraram interesse nos minerais críticos brasileiros, afirmando que o Brasil possui um vasto conhecimento nessa área, que muitas vezes é associado apenas à China.