Um estudo recente revelou que mais de 54% dos graduandos abandonaram seus cursos superiores para dedicar-se ao cuidado de seus filhos. A pesquisa, que envolveu mais de 7,4 mil participantes, mostrou que a maioria (86,5%) das pessoas entrevistadas é mãe e busca a formação universitária. A média de idade dos estudantes é de 33 anos, com a grande maioria frequentando aulas presencialmente (92,8%) e no período noturno (43,3%).
A pesquisa também destaca preocupações significativas em relação à segurança alimentar das crianças dos estudantes. Os restaurantes universitários (RUs), que oferecem refeições a preços acessíveis, são apontados como essenciais nesse contexto. No entanto, mais da metade dos estudantes de graduação (51,0%) e de pós-graduação (49,3%) afirmou que seus filhos não têm direito à alimentação nos RUs. Entre aqueles que têm acesso, apenas 7,1% na graduação e 2,9% na pós-graduação relataram que as refeições são gratuitas.
Os dados ainda mostram que o acesso pago aos RUs é mais comum, com 10,7% na graduação e 9,2% na pós-graduação. Uma preocupação adicional é que 30,3% dos graduandos e 38,0% dos pós-graduandos não sabem se seus filhos têm direito à alimentação, o que evidencia a falta de informação clara por parte das instituições e a fragilidade na comunicação institucional.
Diante da análise das condições socioeconômicas, a pesquisa aponta um alto índice de vulnerabilidade entre os estudantes. A taxa de indivíduos sem renda é de 16,1%, enquanto 14,5% recebem até meio salário-mínimo. Apenas 2,5% dos participantes relataram ter uma renda superior a 10 salários-mínimos. A situação financeira precária dos estudantes é um fator que contribui para o abandono dos cursos.
Em relação à pós-graduação, a composição demográfica revela que a maioria se autodeclara branca (56,1%), enquanto 42,1% se identificam como negros (pretos e pardos) e menos de 1% como indígenas ou amarelos. O estado civil mais comum entre os pós-graduandos é o de casados (50,6%).
A pesquisa também indica que os estudantes de pós-graduação apresentam uma situação econômica relativamente melhor que aqueles da graduação. Apenas 1,1% dos pós-graduandos sustentam suas famílias com até meio salário-mínimo. Mais de um terço (38,9%) vive com até cinco salários-mínimos, 23,1% com valores entre cinco e dez salários-mínimos e 13% com mais de dez salários-mínimos. O grupo sem nenhuma renda é de 3,3%, enquanto 4,8% recebem até um salário-mínimo.