O ministro Edson Fachin, que preside tanto o STF (Supremo Tribunal Federal) quanto o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), fez uma conexão entre o aumento do crime organizado e a infiltração em plataformas de apostas eletrônicas ilegais. A afirmação foi proferida na terça-feira, 14 de julho de 2026, durante o lançamento da Rede Nacional de Magistrados e Magistradas com Competência em Criminalidade Organizada, realizado no CNJ, em Brasília.
Fachin enfatizou que a relação entre o crime organizado e o mercado de apostas eletrônicas é um exemplo significativo da complexidade que esse fenômeno vem adquirindo. Ele destacou que as plataformas clandestinas são frequentemente utilizadas como instrumentos por organizações criminosas, servindo não apenas para apostas, mas também para atividades ilícitas como lavagem de dinheiro e criação de empresas de fachada.
A nova rede foi estabelecida para enfrentar a transformação no perfil das organizações criminosas, que estão abandonando estruturas hierárquicas tradicionais em favor de modelos mais descentralizados, apoiados por tecnologia financeira e plataformas digitais. O objetivo é articular magistrados de todo o Brasil para compartilhar conhecimentos e protocolos que auxiliem no combate ao crime.
Fachin alertou que o crime contemporâneo se deslocou de atividades como assaltos a bancos e sequestros, migrando para a exploração de plataformas digitais de apostas. Ele apontou que essas plataformas podem servir para a lavagem de dinheiro, além de facilitar a integração com diversas atividades ilícitas, como tráfico de drogas, contrabando e corrupção, e possuem uma forte dimensão transnacional.
O ministro caracterizou a Criminalidade Organizada atual como um fenômeno que utiliza criptoativos, arranjos societários internacionais e sofisticadas estruturas financeiras. Ele considera o mercado de apostas eletrônicas um vetor particularmente preocupante nesse contexto.
Fachin também ressaltou que a atuação contra o patrimônio do crime organizado expõe os magistrados a riscos significativos. Juízes que atuam em bloqueios de bens e que interferem em fluxos financeiros ilegais ocupam uma posição delicada, segundo ele. A proteção desses magistrados é fundamental para evitar que facções criminosas utilizem o medo para influenciar decisões judiciais.