A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) iniciou um processo administrativo sancionador contra o site de revenda de ingressos Viagogo. A medida foi tomada após constatações de que a empresa não deixa claro para os consumidores que se trata de uma plataforma de revenda. Para garantir a transparência, a Senacon determinou que a Viagogo informe em todos os seus canais acessíveis que atua nesse mercado. Caso a empresa não cumpra essa determinação, a multa diária poderá atingir R$ 100 mil.
O secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, destacou que as investigações realizadas revelaram que o site pode induzir os consumidores a acreditarem que estão comprando ingressos diretamente de canais oficiais de venda. Em muitos casos, os preços cobrados nas plataformas de revenda superam os valores praticados na venda original. Morishita afirmou: “Tivemos a materialidade suficiente para tomar uma decisão sobre a Viagogo. Fizemos um monitoramento e chegamos à conclusão de indícios preocupantes.”
Além das questões de transparência, a Senacon, que é vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), também identificou falhas na identificação dos vendedores dos ingressos e na rastreabilidade das operações. O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, ressaltou que muitos consumidores acreditam estar adquirindo ingressos diretamente do produtor do evento ou da bilheteira oficial, sem perceber que se trata de uma revenda, geralmente com preços superiores aos originais.
Com a abertura do processo administrativo, a Viagogo terá um prazo de 20 dias para apresentar sua defesa. A reportagem tentou contato com a empresa e o texto será atualizado assim que houver uma manifestação por parte dela.
Fernandes também alertou sobre o uso de robôs para esgotar ingressos nos sites de venda primária. Esses sistemas automatizados atuam como cambistas digitais, realizando a compra rápida dos ingressos disponíveis para, em seguida, revendê-los em plataformas secundárias a preços elevados.
Morishita acrescentou que o Ministério da Justiça também monitora os sites de venda primária em relação a possíveis cobranças abusivas de taxas e problemas no atendimento ao cliente após a venda. Até o momento, não foram adotadas medidas específicas contra essas plataformas.