O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde a criação da tipificação penal do crime, em 2015. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram contabilizados 1.571 feminicídios ao longo do ano passado, um aumento de 4% em relação aos 1.504 casos registrados em 2024. O dado representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em razão da condição de gênero.
De acordo com o relatório, 96,4% dos feminicídios de autoria identificada foram cometidos por homens, sendo 79,8% parceiros ou ex-parceiros da vítima — 60,9% parceiro íntimo e 18,9% ex-parceiro —, e 12,1% é familiar. Entre as vítimas, 62,5% foram mortas dentro de sua residência, 65,1% eram negras e 56,5% tinham faixa etária entre 25 e 44 anos.
O crescimento dos feminicídios ocorre na contramão da tendência observada nos índices gerais de violência. O levantamento aponta que o país registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, queda de 8% na comparação com o ano anterior e o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. O indicador reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.
Por Didi Galvão