O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, manifestou-se neste sábado (25.jul.2026) sobre as declarações feitas pelo Presidente da Argentina, Javier Milei, que foram consideradas desrespeitosas. Durante a Convenção Nacional do PL, Milei se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como 'lixo careca'. Esta afirmação ocorreu em um contexto de críticas à decisão de Moraes que impediu uma visita de Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar.
Milei, que participou do evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, expressou descontentamento com a decisão judicial. Ele criticou Moraes, afirmando que o ministro não permitiu que ele visitasse seu 'amigo, injustamente encarcerado', mencionando que Lula tinha recebido dirigentes estrangeiros, incluindo o ex-presidente argentino Alberto Fernández, enquanto estava preso.
Além disso, o presidente argentino fez referências negativas ao governo brasileiro, afirmando que o país enfrenta um 'risco Lula' e descrevendo o socialismo como 'lixo', acusando a esquerda de prejudicar o Brasil.
Em resposta, Fachin emitiu uma nota onde condena as declarações de Milei, ressaltando que a referência ao ministro do STF é desrespeitosa e incompatível com a civilidade. Ele enfatizou que a manifestação ocorreu em território brasileiro e se referiu a um ato jurisdicional que foi praticado em conformidade com a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil.
Na nota, Fachin reafirmou a autonomia do Judiciário brasileiro e expressou sua desaprovação em relação a manifestações que não respeitam a civilidade nas relações entre os Estados. A nota completa destaca: 'Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil.'
A proibição das visitas foi determinada por Moraes em 18 de julho, quando negou o pedido de Milei para visitar Bolsonaro. O ministro fundamentou sua decisão na proibição de qualquer tipo de visitação ao ex-presidente por um período de 30 dias, após a divulgação de uma 'Carta aos Brasileiros' por Flávio Bolsonaro nas redes sociais.