A federação Brasil da Esperança, que reúne os partidos PT, PV e PC do B, protocolou na segunda-feira (27 de julho de 2026) uma notícia de fato junto à Procuradoria Geral Eleitoral (PGE). O objetivo é solicitar investigações acerca das circunstâncias que envolveram a visita do presidente da Argentina, Javier Milei, que fez parte da convenção nacional do Partido Liberal (PL) no último sábado (25 de julho), onde foi homologada a candidatura de Flávio Bolsonaro ao cargo de presidente.
Os partidos que compõem a federação afirmam que o pedido de esclarecimento não tem como intuito antecipar qualquer conclusão sobre a existência de ilícitos eleitorais. Contudo, a PGE é instada a investigar diversos aspectos, incluindo a natureza jurídica da visita do chefe de Estado argentino, bem como identificar os responsáveis pelo financiamento das despesas relacionadas ao transporte, hospedagem e logística do evento.
Além disso, o grupo questiona se houve a utilização de recursos públicos argentinos para facilitar uma agenda política em território brasileiro e se houve qualquer tipo de coordenação entre agentes públicos do Brasil, autoridades argentinas e organizações partidárias que contribuíssem para a realização dessa agenda.
Em um trecho da notícia de fato, os partidos destacam que a participação de Milei na convenção do PL não foi um evento isolado ou secundário. Eles ressaltam a necessidade de verificar se estruturas estatais, tanto brasileiras quanto argentinas, foram mobilizadas, direta ou indiretamente, para potencializar um ato de natureza político-eleitoral relacionado à sucessão presidencial no Brasil.
A federação também sublinha que a questão da soberania nacional não deve ser tratada apenas como uma retórica, e que a participação de Milei foi amplamente divulgada previamente, configurando-se como um elemento de grande relevância política e midiática. Os partidos consideram fundamental averiguar se a presença do presidente argentino respeita os princípios da independência institucional do Estado brasileiro.
A análise da cadeia de organização e financiamento da visita é vista como essencial para determinar se a participação de Milei foi custeada por recursos próprios, por estruturas do governo argentino, pelo Partido Liberal ou por outras fontes. Isso permitirá ao Ministério Público Federal verificar a conformidade jurídica do custeio em relação ao ordenamento constitucional e eleitoral do Brasil.