O presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso Dias Cardoso, expressou ceticismo quanto à revisão das tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil antes das eleições de outubro. Durante uma entrevista, Velloso destacou que, devido ao caráter político da questão, não há expectativas de mudanças nesse cenário até o final deste ano.
Velloso também se posicionou contra quaisquer ações de retaliação por parte do Brasil. Ele argumentou que tais medidas poderiam agravar a situação, elevando as tarifas e resultando em consequências ainda mais negativas. "A situação que já é complicada pode se tornar pior", afirmou, enfatizando a necessidade de cautela nas relações comerciais.
Apesar das dificuldades impostas pelas tarifas, o executivo acredita que a indústria não deve sofrer perdas significativas em termos de empregos. Ele mencionou que o setor deve continuar a crescer, com um aumento nas exportações para países como Argentina e Singapura. Embora as exportações para os EUA tenham caído 11% neste ano, o setor como um todo está projetado para alcançar mais de US$ 14 bilhões em exportações, comparado aos US$ 13,2 bilhões de 2025.
Além das tarifas, Velloso apontou outras preocupações para a Indústria de Máquinas e equipamentos, como a alta taxa de juros, que ele considera um grande obstáculo para investimentos. Nos últimos cinco anos, o setor só teve crescimento no ano passado, com a maioria dos anos apresentando queda no faturamento, o que ele atribui aos altos juros.
O impacto das plataformas de e-commerce internacionais também foi mencionado, pois setores como confecção e calçados são afetados, o que indiretamente prejudica a venda de máquinas. Velloso criticou a competição desleal que favorece produtos importados com subsídios, defendendo a aplicação de tarifas de importação e a consideração de cotas e processos antidumping como formas de proteção ao mercado nacional.
Por fim, em relação à discussão sobre o fim da escala 6 X 1, o presidente da Abimaq manifestou apoio à pauta, mas ressaltou que é essencial que o Brasil aumente sua produtividade antes de avançar nesse debate. Ele alertou que a implementação de mudanças pode resultar em um aumento de custos generalizados, que seriam repassados ao consumidor. A análise desse projeto no Congresso deve ocorrer somente após as eleições.