Pesquisadores identificaram a presença do fungo Ophiocordyceps sp. em musgos coletados na Reserva Florestal Adolpho Ducke, localizada em Manaus. Essa descoberta é surpreendente, uma vez que esses fungos, conhecidos como "zumbis", são geralmente encontrados em insetos, como formigas e aranhas, e não em plantas.
Os fungos "zumbi" são notórios por infectarem seus hospedeiros e alterarem seu comportamento, levando-os à morte. Contudo, neste caso específico, não foi identificado um mecanismo de infecção nas plantas, indicando que o fungo estava apenas se abrigando nos musgos, sem causar danos aparentes.
O estudo, liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), teve suas conclusões publicadas na revista IMA Fungus em julho. O autor principal da pesquisa, Tales Alves Jr., destacou que a descoberta sugere uma complexidade maior na interação entre fungos e musgos, revelando que o fungo pode ser onipresente nas comunidades de musgos ao redor.
Alves também observou que os resultados indicam uma conexão mais estreita entre os ciclos de vida das plantas e dos fungos que manipulam o comportamento de formigas na região amazônica. Essa relação, até então desconhecida, abre novas perspectivas para entender a dinâmica ecológica da Amazônia.
A pesquisa elucidou que, ao infectar formigas, os fungos "zumbi" alteram o comportamento dos insetos, forçando-os a se afastar da colônia e se fixar em um local, um comportamento conhecido como "mordida mortal". Isso permite que o fungo se desenvolva e libere esporos, completando seu ciclo de vida.
Entretanto, a descoberta de Ophiocordyceps sp. em musgos a mais de 10 metros de distância de formigas infectadas revela uma relação mais complexa do que se pensava. A hipótese é que esses fungos buscam abrigo nas plantas durante períodos de escassez de formigas, garantindo sua sobrevivência até que novas oportunidades de infecção surjam.