Um novo estudo realizado pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou possíveis associações entre a microbiota intestinal e bucal e traços relacionados à psicopatia, como impulsividade e frieza emocional. A pesquisa envolveu 200 participantes portugueses, que tiveram suas avaliações psicológicas comparadas a amostras de fezes, saliva e sangue, visando investigar a relação entre microrganismos e comportamentos específicos.
Carolina Costa, primeira autora do estudo e doutoranda em Ciências Biomédicas no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), destacou que os resultados indicam que certas bactérias presentes no intestino e na boca podem estar ligadas a traços de psicopatia. No entanto, a pesquisa não estabelece uma relação de causa e efeito, ou seja, não é possível afirmar que a presença dessas bactérias provoca características psicopáticas.
A coordenadora do estudo, Benedita Sampaio-Maia, também enfatizou que, apesar da relação observada entre perfis bacterianos e características comportamentais, a pesquisa não determina que as bactérias sejam a causa dos traços psicopáticos. Os cientistas encontraram associações entre esses traços e determinadas bactérias intestinais, além de diferenças nas concentrações de substâncias, como glicose e taurina, que se mostraram relacionadas a níveis aumentados de comportamentos específicos.
Os pesquisadores utilizaram as amostras de fezes, saliva e sangue para analisar a composição bacteriana e identificar substâncias químicas que podem estar envolvidas na comunicação entre o intestino e o cérebro. Os resultados obtidos têm o potencial de contribuir para a identificação de marcadores biológicos que estejam associados à saúde mental, além de abrir novas possibilidades para investigações futuras sobre intervenções alimentares, probióticos ou estratégias que possam alterar a composição da microbiota.
O estudo também contou com a participação de pesquisadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP) e da Universidade de Oxford.