Em resposta a solicitações que visavam o bloqueio da plataforma no Brasil, o Discord apresentou uma proposta ao Governo Federal com o intuito de aumentar a segurança de crianças e adolescentes no ambiente virtual. A iniciativa foi tomada após um acordo firmado na última sexta-feira (7/8) entre a Advocacia-Geral da União (AGU) e representantes do Governo Federal, que agora avaliarão as medidas sugeridas pela empresa.
Em comunicado, a AGU destacou que a proposta apresentada pelo Discord não elimina a possibilidade de que a União tome medidas administrativas e judiciais necessárias para assegurar o cumprimento da legislação vigente. A preocupação com a segurança na plataforma ganhou força após eventos recentes que chamaram a atenção das autoridades.
O Discord tem sido frequentemente associado a crimes virtuais, e a situação se tornou ainda mais crítica após o caso de uma menina de 13 anos que cometeu suicídio durante uma transmissão ao vivo na plataforma. Investigações indicam que a jovem foi induzida e ameaçada por membros de um grupo online a cometer o ato trágico.
Na quinta-feira (6/8), a primeira-dama Janja da Silva se manifestou publicamente sobre a necessidade de bloqueio do Discord no Brasil, afirmando que era essencial retirar a plataforma do ar. Em suas palavras, ela fez um apelo claro: “A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma”. Essa declaração ocorreu durante uma cerimônia no Palácio do Planalto.
A pressão sobre o Discord aumentou ainda mais com o prazo estabelecido pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que se encerra nesta semana. A agência exige que a empresa forneça informações sobre os mecanismos existentes e as medidas previstas por lei, como a verificação de idade, para prevenir e combater graves violações de direitos de crianças e adolescentes.
Criado em 2015, o Discord se popularizou entre os jogadores de videogame e permite a comunicação por texto, voz e vídeo, além de transmissões em tempo real. A plataforma oferece a possibilidade de qualquer usuário criar servidores com diferentes canais de conversa, salas de voz e espaços para compartilhamento de conteúdo, o que a torna um ambiente atrativo, mas também suscetível a abusos e crimes virtuais.