O diagnóstico precoce do câncer de ovário é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento. No entanto, muitos dos sintomas iniciais são frequentemente ignorados ou confundidos com condições de saúde mais simples, o que pode atrasar a identificação da doença.
A oncologista Nanditha Sesikeran enfatiza que os sintomas iniciais costumam ser sutis e vagos, levando a um diagnóstico em estágios mais avançados, quando o tratamento se torna mais complicado e os resultados são menos favoráveis. Entre os principais sinais de alerta, destaca-se o inchaço abdominal persistente, que não melhora mesmo após mudanças na alimentação.
Outro sintoma a ser observado é a dor pélvica ou abdominal, que muitas vezes é confundida com cólicas menstruais ou desconfortos gastrointestinais. A dificuldade para comer e a sensação de saciedade rápida também são mencionadas, pois podem indicar a pressão exercida por uma massa em crescimento na região abdominal.
Além disso, a vontade frequente de urinar merece atenção, embora seja muitas vezes confundida com infecções urinárias. A persistência desses sintomas é especialmente preocupante; episódios ocasionais podem ser normais, mas sintomas que duram mais de duas semanas devem levar a uma avaliação médica.
Mitos em torno do câncer de ovário também são uma preocupação. Mônica Pires, presidente da seção de ginecologia oncológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, ressalta que famílias com histórico de câncer de mama ou outros tumores associados a mutações genéticas têm maior risco de desenvolver câncer de ovário, tornando a avaliação genética recomendada em casos de histórico familiar relevante.
Outro ponto importante é a relação entre a vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) e o câncer de ovário. Mônica Pires esclarece que a vacina não previne esse tipo de câncer, já que a imunização é eficaz apenas contra lesões e tumores relacionados ao HPV, como os que afetam o colo do útero, vulva, vagina, ânus e alguns tipos de câncer de garganta. Portanto, o câncer de ovário não está associado à infecção por HPV e não pode ser prevenido pela vacina.