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Despejo de moradores da Kasa Invisível gera protesto em Belo Horizonte

Na manhã desta sexta-feira, moradores da Kasa Invisível, uma ocupação no Centro-Sul de Belo Horizonte, foram despejados. O ato acontece em meio a críticas...

Na manhã desta sexta-feira, 21 de agosto, moradores da Kasa Invisível, uma ocupação localizada na esquina da Avenida Bias Fortes, no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte, enfrentaram um despejo. Um oficial de Justiça foi ao local portando uma ordem de retirada, que foi emitida pela juíza Miriam Vaz Chagas, da 17ª Vara Cível da cidade.

O processo de despejo, que tramita desde 2018, foi considerado abrupto pelo coletivo responsável pela ocupação. Segundo eles, a decisão de desalojo foi tomada antes que a fase de depoimento de testemunhas fosse concluída, surpreendendo os ocupantes que esperavam um andamento mais longo do processo. A ordem foi emitida em favor do espólio de José Alves e seus herdeiros.

Os advogados que representam a Kasa Invisível tentaram contestar a decisão judicial, mas não obtiveram êxito. O coletivo manifestou sua indignação nas redes sociais, classificando a ação como “injusta e arbitrária”, e reafirmou a intenção de permanecer no espaço. Além disso, o grupo fez um apelo por apoio em um momento que consideram crítico, especialmente por outras ocupações também estarem sob ameaça de despejo.

Curiosamente, o despejo ocorreu no mesmo dia em que se celebra o Dia Nacional da Habitação. O presidente Lula visita a cidade, enquanto a Câmara de Vereadores discute a chamada PL da Gentrificação, um tema que vem gerando polêmica e resistência entre movimentos sociais. A Kasa Invisível se posicionou como um símbolo de resistência nesse contexto.

A Kasa Invisível não é apenas um espaço de moradia, mas também um centro cultural ativo. Desde sua ocupação em 2013, por um grupo de trabalhadores, desempregados e estudantes, o local se tornou um ponto de encontro para diversas atividades, incluindo feiras, palestras, exibições de filmes e eventos artísticos. O espaço abriga ainda uma biblioteca, ateliê e cooperativas que produzem e distribuem arte e literatura, engajando-se com diferentes movimentos sociais, como grupos indígenas e quilombolas.

A situação da Kasa Invisível destaca não apenas a luta por moradia, mas também a defesa da cultura e da comunidade. A reportagem aguarda um posicionamento da Prefeitura de Belo Horizonte e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) sobre os desdobramentos do caso.

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