Rafaela Pimenta, sucessora de Mino Raiola, revela desafios e preconceitos enfrentados por mulheres no universo do futebol em entrevista à BBC Sport.
Rafaela Pimenta, influente agente de Erling Haaland, expôs o machismo no futebol, relatando comentários ofensivos e a luta das mulheres por reconhecimento e respeito na indústria.
Rafaela Pimenta, a proeminente agente de estrelas como Erling Haaland e Matthijs de Ligt, abriu o jogo sobre os desafios e o persistente machismo no mundo do futebol em uma entrevista reveladora à BBC Sport. Herdeira do império de Mino Raiola, Pimenta detalhou como o esporte ainda é predominantemente masculino e a forma como as mulheres são frequentemente subestimadas ou desrespeitadas.
Pimenta relembrou os primórdios de sua carreira, quando a presença feminina em cargos de decisão era quase nula. Ela descreveu um cenário onde mulheres realizavam tarefas cruciais, mas não recebiam o devido reconhecimento ou poder. “Era como um corredor, sempre a mesma coisa: observação, área técnica, secretaria e tomada de decisões. Você passava por todo mundo e chegava à última porta. Atrás dessa última porta, havia um homem”, afirmou, ilustrando a barreira invisível que muitas enfrentam.
O Preconceito Explícito e a Luta por Respeito
Um dos momentos mais chocantes da entrevista foi a revelação de um comentário abertamente preconceituoso que ela ouviu de um diretor esportivo. “Você existe mesmo.
Achei que fosse uma prostituta vinda do Brasil”, relatou Pimenta, evidenciando a desqualificação e a sexualização que muitas mulheres enfrentam ao tentar se firmar na indústria. Ela enfatizou que, embora o cenário tenha melhorado, o gênero ainda é usado para desestabilizar e diminuir a autoridade feminina.
A agente também trouxe à tona o incidente envolvendo Luis Rubiales e Jenni Hermoso, questionando a disparidade de tratamento. “Será que ele teria beijado o [Lionel] Messi na boca ou no rosto ao entregar um troféu?
Se tivesse feito isso, não teria sido demitido imediatamente?”, indagou, criticando a demora na tomada de decisão e a ideia enraizada de que mulheres são inferiores ou não entendem de futebol. Para Pimenta, a luta já não é apenas por si, mas pelas novas gerações de mulheres que buscam espaço no esporte.
Com uma postura firme, Pimenta concluiu sua mensagem com um conselho direto para as mulheres que almejam uma carreira no futebol: “Não aceitem abusos. Você não precisa se sexualizar para ser alguém nesta indústria”.
Ela se compromete a usar sua posição para tornar o caminho mais fácil para as futuras agentes e profissionais, garantindo que não precisem passar pelas mesmas experiências de desrespeito e preconceito que ela enfrentou.


