O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, do PSB, fez um apelo à Henna Virkkunen, representante da Comissão Europeia, visando a revogação do veto que impede as exportações de carne brasileira. O governo brasileiro está empenhado em garantir que o país retorne à lista de nações autorizadas a exportar para a União Europeia até setembro deste ano.
Henna Virkkunen, que integra a Comissão Europeia e também atua como vice-presidente da seção de Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, esteve em visita ao Brasil, onde formalizou um acordo de Parceria Digital com o país. Durante a conversa, Alckmin destacou a questão da carne, que, embora não seja diretamente da competência da representante, é um tema que ela está ciente e que também contará com o apoio da embaixadora Marian Schuegraf, representante da União Europeia no Brasil. Virkkunen assegurou que a análise do veto é uma prioridade e que o Ministério da Pecuária e Agricultura (Mapa) está fornecendo todas as informações necessárias.
O veto às exportações de carne foi decidido devido à falta de garantias de que o Brasil não utiliza produtos antimicrobianos na criação de animais. Esses produtos são frequentemente usados na pecuária para tratar infecções e acelerar o crescimento do rebanho. A partir de 3 de setembro, os produtores brasileiros estarão impedidos de vender carne bovina ao mercado europeu, o que pode resultar em um impacto econômico superior a R$ 9 bilhões nas vendas do agronegócio nacional.
Enquanto isso, os outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, continuam autorizados a exportar carne bovina para a União Europeia. Em uma agenda que inclui a participação no G7 na próxima segunda-feira, 15 de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, abordará a situação com representantes europeus. O Itamaraty informou que a conversa terá um tom de preocupação e que Lula, acompanhado do chanceler Mauro Vieira, manifestará surpresa com a decisão.
As exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia atingiram US$ 1,048 bilhão em 2025, com um volume total de 128 mil toneladas. A carne de frango, que ocupa a segunda posição no ranking de exportações para o bloco, gerou receitas de US$ 762 milhões no mesmo período, com 230 mil toneladas embarcadas. Além disso, o Brasil também exporta, em quantidades menores, carne de peru, equídeos, ovina e caprina, pato, entre outros produtos, totalizando valores que variam de US$ 15,7 milhões a US$ 8,9 milhões em diferentes categorias.