O grupo Alliança Saúde e Participações, controlado pelo empresário Nelson Tanure (foto em destaque), tem atrasado o pagamento de salário de médicos que atuam nos principais laboratórios da rede desde dezembro passado.
Segundo relatos, cerca de 10 colaboradores do laboratório Cura tiveram seus salários atrasados no final de 2025 e ao menos outros dois grandes laboratórios do grupo passaram a adiar o prazo para os depósitos em janeiro deste ano — além do Cura, funcionários dos laboratórios CDB e Delfim também sofreram atrasos em seus vencimentos.
Em relação ao CDB, o pagamento que deveria ter sido realizado em 20 de janeiro foi feito dez dias depois. Já os médicos do Delfim deveriam ter sido pagos em 8 de janeiro, mas receberam os vencimentos 12 dias depois. No caso do laboratório Cura, os pagamentos previstos para ocorrer na última quarta-feira (28/1) foram reprogramados para o dia 10 de fevereiro.
Em nota, a Alliança afirmou que realizou, no início do ano, um “ajuste pontual nos calendários de pagamento de prestadores médicos, com o objetivo de padronizar datas entre as empresas do grupo”. “O processo foi comunicado aos prestadores e não caracteriza inadimplência nem descumprimento contratual”, disse a empresa.
Quem é Nelson Tanure
Conhecido como “devorador de empresas” devido à sua atuação em companhias à beira do colapso financeiro, o empresário Nelson Tanure, controlador do grupo Alliança desde 2022, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 14 de janeiro e que mirou o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, e familiares dele.
O empresário é investigado por suposto envolvimento em uma rede de fundos e operações financeiras associadas à instituição. Na ação, Tanure teve o seu celular apreendido.
A defesa do investidor nega as acusações e afirma que ele não possui vínculo societário com o Master, com o qual manteve uma relação apenas de cliente. Diz também que o empresário “tem décadas de experiência no mercado de valores mobiliários” e que “jamais enfrentou qualquer processo criminal” relacionado à sua atuação empresarial.
Oferta de ações
Em meio às investigações que colocaram Tanure em evidência, a Alliança comunicou no último dia 15/1 que prorrogou o prazo do processo para que os acionistas manifestem interesse em exercer o direito de preferência para comprar ações da empresa, no âmbito de um processo de expansão de capital do grupo, colocado em prática no final do ano passado.
A Alliança tenta se recuperar por meio de uma capitalização de cerca de R$ 797 milhões, com o objetivo de fortalecer sua estrutura financeira. No mercado de ações, prorrogações desse tipo são sinais de que há pouco interesse por novos aportes. Em dezembro, a empresa passou a oferecer ações com descontos para os funcionários, inclusive para aqueles com salários atrasados.
O aumento de capital permite a emissão de novas ações destinadas, além de acionistas, a funcionários, médicos e colaboradores, que podem participar da operação adquirindo ações pelo preço de R$ 5,60 cada. A participação dos funcionários ocorre, principalmente, por meio da cessão de direitos de subscrição feita pelos acionistas controladores, que desta forma podem direcionar parte das ações ao “público interno”.
Como forma de incentivo à compra dos papéis, cada ação adquirida dará direito ao funcionário comprar uma nova ação no futuro por um valor menor, estimado em R$ 4,88, ou seja, 13% de desconto.
“Em relação ao aumento de capital, trata-se de operação regularmente divulgada ao mercado, que prevê, de forma facultativa e nos termos legais, a possibilidade de conversão de créditos em ações. Essa alternativa é opcional e não substitui obrigações de pagamento, nem guarda relação com ajustes operacionais de calendário. A companhia segue operando normalmente e permanece à disposição para esclarecimentos”, informou a Alliança.


