O último ano letivo trouxe resultados expressivos no que se refere às taxas de aprovação no ensino médio em alguns estados brasileiros. Quatro deles registraram índices próximos de 100%, a maior marca desde o início da série histórica em 2015. O Piauí se destacou ao aprovar 99,5% dos aproximadamente 103,3 mil alunos matriculados na rede estadual, resultando em apenas 103 reprovações. No Pará, a taxa foi de 99,3%, com um dado inédito: não houve reprovações nos 1º e 2º anos do ensino médio.
A situação no Rio Grande do Norte também chama atenção, onde a adoção da regra de progressão parcial, que permite que os alunos avancem mesmo com até seis dependências, elevou a taxa de aprovação para 93%. O Rio de Janeiro, que ocupa a penúltima posição no ranking nacional do Ideb, promulgou um decreto semelhante em novembro de 2025, seguindo o exemplo de outros 15 estados que já implementaram essa medida.
A progressão parcial, que permite que estudantes avancem para o ano seguinte mesmo se reprovados em até seis disciplinas nos dois primeiros anos do ensino médio, ou em até três no terceiro ano, desde que participem de um regime de recuperação, é apresentada como uma estratégia para combater a evasão escolar. Contudo, essa abordagem tem impacto direto no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb.
O Ideb é calculado com base na combinação da nota dos alunos no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o indicador de fluxo escolar, que mede as taxas de aprovação. Assim, se o desempenho dos alunos nas provas se mantiver estável, a elevação artificial da taxa de aprovação resulta em um aumento automático do Ideb.
Os estados que mais adotaram a progressão parcial estão entre os que ocupam as piores posições no ranking nacional de educação. As taxas de aprovação apenas indicam se o aluno foi aprovado ou reprovado ao final do ano, sem refletir o aprendizado efetivo dos estudantes. No Piauí, por exemplo, a taxa de 99,5% contrasta com os resultados do Saeb, que colocam o estado entre os de pior desempenho em Língua Portuguesa e Matemática.
Além disso, a taxa de zero reprovações nos dois primeiros anos do ensino médio No Pará é considerada estatisticamente inviável para uma rede com mais de 300 mil alunos matriculados, sugerindo a existência de alguma medida artificial para elevar os índices de aprovação.