Operação em águas internacionais, alegadamente contra narcotráfico, eleva número de vítimas na região para mais de uma centena, enquanto questionamentos sobre evidências persistem.
Os Estados Unidos realizaram um novo ataque no Pacífico Oriental contra narcoterroristas, somando 107 mortos na região, levantando debates sobre a comprovação dos alvos.
Os Estados Unidos realizaram um novo ataque cinético letal em águas internacionais, desta vez no Pacífico Oriental, na última segunda-feira, 29 de dezembro. A operação, que teve seu vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais, visou uma embarcação operada por Organizações Terroristas Designadas, conforme nota divulgada pelo Comando Sul dos EUA.
De acordo com o comunicado oficial, serviços secretos confirmaram que a embarcação estava “em trânsito por rotas conhecidas de narcotráfico no Pacífico Oriental e estava envolvida em operações de narcotráfico”. O ataque resultou na morte de dois narcoterroristas do sexo masculino, sem que nenhuma força militar dos EUA sofresse danos. Este incidente eleva para 107 o número de mortos em dezenas de ataques americanos na região nos últimos meses, mobilizados sob o pretexto de combate ao narcotráfico.
A Intensificação da Luta Contra o Narcotráfico e Suas Controvérsias
A luta contra o narcotráfico tem sido um pilar da política externa americana desde o início da administração Trump. Medidas como a restrição do tráfego de petroleiros venezuelanos foram justificadas como necessárias para diminuir receitas que, segundo Washington, financiam o narcoterrorismo.
No entanto, a administração tem enfrentado críticas pela escassez de evidências concretas que comprovem a ligação dos alvos atingidos com redes de narcotráfico.
Recentemente, o ex-presidente Trump afirmou em entrevista ter destruído uma “grande instalação” usada por uma rede de narcotráfico controlada pela Venezuela, sem especificar a localização. Posteriormente, o jornal The New York Times avançou que os EUA teriam realizado uma operação com drones em território venezuelano na semana passada, atingindo um porto.
Fontes não identificadas indicaram ao The New York Times que o ataque, atribuído à Agência Central de Inteligência (CIA), teve como alvo um cais que seria utilizado pela organização criminosa transnacional Tren de Aragua para armazenar e preparar narcóticos para transporte marítimo. As mesmas fontes asseguraram que não havia ninguém no local no momento do impacto, e que, portanto, não houve vítimas mortais nesta operação específica em território venezuelano.