Conecte-se Conosco

Esporte

Ativismo crescente no esporte desafia regras olímpicas que limitam protestos

Publicado

em

Talvez uma ‘neutralidade política durante o megaevento esportivo’ não seja possível mesmo com toda fiscalização

As intenções de cultivar um ambiente de suposta neutralidade política durante um megaevento esportivo com representantes de duas centenas de países se chocam com a realidade de um mundo efervescente e o crescente ativismo de atletas.

Nesse contexto, o desafio que será encarado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) durante os Jogos de Tóquio não é simples. Tanto que a própria entidade sentiu a necessidade de pôr em discussão, desde o ano passado, uma revisão de suas normas para manifestações de atletas nos ambientes olímpicos.

A redação original da Regra 50.2 da Carta Olímpica afirmava que, para preservar a neutralidade dos Jogos, nenhum tipo de manifestação política, religiosa ou racial era permitida nas arenas e outras áreas.

O resultado dos debates, que envolveram uma consulta online a cerca de 3.500 atletas de vários países, foi divulgado no início do mês.

A nova versão das diretrizes do COI para a aplicação da Regra 50.2 inclui os locais de jogo como palcos permitidos para manifestação, desde que antes do início das competições. Por exemplo, durante a entrada dos times no gramado e quando um atleta é anunciado. Ajoelhar-se ou erguer o punho no pódio permanece vetado.

A manifestação precisa ser “consistente com os princípios fundamentais do Olimpismo” e não pode ser dirigida direta ou indiretamente contra pessoas, países e organizações.

“Embora as diretrizes ofereçam novas oportunidades para os atletas se expressarem antes da competição, elas preservam as competições no campo de jogo, as cerimônias e a Vila Olímpica. Esse foi o desejo da grande maioria dos atletas em nossa consulta global”, afirmou Kirsty Coventry, presidente da Comissão de Atletas do COI.

Para alguns, os avanços foram significativos. Na opinião de outros, insuficientes. A natureza do tema dificulta que se chegue a um consenso.

“O Movimento Olímpico, como está constituído hoje, é um transatlântico. E a velocidade em que a sociedade muda é a de um jet ski. Como você vira o transatlântico, como o adapta à velocidade com que as coisas mudam? Acredito que não tenha como. A estrutura do Movimento Olímpico é muito robusta e burocratizada, não no mau sentido, mas por ser representativa”, afirma Marjorie Enya.

Ex-gerente de seleções da Confederação Brasileira de Rugby e membro do conselho da World Rugby, ela defende que já passou da hora de entidades esportivas mudarem a forma de se relacionar com os atletas.

“Essa dinâmica de poder em que as entidades mandam e os atletas obedecem não se sustenta mais. Essa dinâmica de que o atleta não tem voz, não participa, está falida. O grande desafio é como equalizar e dar vazão para que os atletas possam se manifestar sobre as causas que defendem de um jeito que seja condizente com o que seria a aura de neutralidade que os Jogos Olímpicos tentam manter”, completa.

Voz influente nesse debate desde a sua manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro no ano passado, durante etapa do circuito brasileiro de vôlei de praia, Carol Solberg vê avanços na liberdade de manifestação dos atletas, mas ainda limitados.

“Precisamos mudar essas regras para que o atleta não tenha medo de se posicionar e sofrer as consequências disso depois. A cada manifestação que acontece, também vamos quebrando esse tabu de que atleta não fala sobre política e fica cada vez mais evidente a hipocrisia que existe em falar que esporte e política não se misturam”, diz Solberg.

Julgada e advertida no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pelo seu grito de “Fora, Bolsonaro”, ela afirma esperar que aqueles que desejarem se manifestar durante a Olimpíada de Tóquio o façam.

“Acredito muito na importância da voz de cada um de nós, e me parece absurdo eles não serem incentivados a levantar a bandeira de causas tão importantes e urgentes para nossa sociedade, como a luta antirracista, a defesa dos direitos humanos, do meio ambiente. Correr o risco de ser punido por defender essas causas? Isso, sim, é ir contra todos esses tais valores olímpicos.”

Questionado sobre como orientou a delegação brasileira sobre as novas diretrizes, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) informou que traduziu o documento do COI e distribuiu para os atletas.

Nos Jogos de Atenas-2004, Diogo Silva vestiu uma luva preta e ergueu o punho ainda no tatame, após perder a luta semifinal da competição de taekwondo. O gesto, que repetia o ato de John Carlos e Tommie Smith nos Jogos da Cidade do México-1968 e fazia alusão aos Panteras Negras, era claramente vetado pelo regulamento vigente, mas o brasileiro nunca recebeu uma punição por isso.

“Peguei todo o mundo de supetão. Só vim saber que tinha sido julgado por uma corte internacional por um treinador meu sul-coreano. Ele foi acionado e me contou um ano depois o que tinha acontecido, que era para eu não fazer de novo porque podia ser banido do esporte. Nunca fui acionado, nunca recebi [um documento] e não sei se de fato ocorreu um julgamento. Eu quebrei todas as regras, mas o que aconteceu depois não faço ideia”, ele relata.

Manifestações mais ou menos discretas ocorrem com alguma frequência nos Jogos, mas o regulamento é pouco claro sobre eventuais punições. Em 2016, por exemplo, o etíope Feyisa Lilesa cruzou os pulsos sobre a cabeça ao ultrapassar a linha de chegada da maratona na segunda posição. Era um protesto contra o governo de seu país, acusado de perseguição ao grupo étnico a que Lilesa pertence.

Não consta que o corredor tenha sofrido uma punição esportiva, e as atenções se voltaram às possíveis represálias que ele poderia sofrer no retorno à Etiópia.

“Não existe uma cartilha educativa, como a de antidoping. As pessoas não sabem essas regras e as atualizações delas. Estamos enviando para o mesmo lugar inúmeras nações, com suas soluções e problemas. Nem todas as nações se amam, por isso precisa ter o entendimento do que é permitido ou proibido, para não trazer conflitos externos para dentro dos Jogos. Mas isso vaza? Vaza. Tem como controlar? Não tem”, constata Diogo Silva, hoje membro da Comissão de Atletas do COB.

Definir o que pode e onde permanece como o grande desafio, mesmo com a recente atualização das regras pelo COI. E, mesmo que tudo estivesse bem definido, escrito e publicado, a discórdia dificilmente se encerraria.

“Não é impossível chegar [a um consenso], mas às vezes a gente pode matar na raiz essas manifestações. Elas são poderosas porque são subversivas. O atleta se ajoelhar no pódio é uma forma de gerar um desconforto, porque o desconforto gera o gatilho da conversa”, afirma Enya.

Para Carol Solberg, discutir se os atletas violarão os limites estabelecidos não deveria ser o ponto central da discussão. “Acho curioso os dirigentes e políticos usarem grandes eventos esportivos para serem palco de suas gestões, para literalmente fazer política, e botarem uma mordaça nos atletas para que eles sejam os fantoches, corpos que estão ali somente para entreter e que não têm nada a dizer sobre o mundo onde vivem.”

A ebulição social decorrente do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos há mais de um ano reverberou no esporte. O gesto antirracista de se ajoelhar com o punho erguido antes de partidas de futebol se manteve presente na última temporada da Inglaterra e se repetiu entre algumas seleções na Eurocopa recém-encerrada, ainda que sob vaias do público em determinados países.

Agora fica a expectativa para saber se os Jogos de Tóquio também serão um território fértil para manifestações e como os atletas se comportarão diante das novas regras definidas pelo COI. Marjorie Enya e Diogo Silva apontam que a pandemia da Covid-19, com as histórias de luto e superações que carrega, tende a se sobrepor aos temas políticos, sociais e raciais no Japão.

“As restrições implementadas para conter os riscos da Covid também prejudicam a interlocução entre os atletas. Mas é um movimento que não tem como parar, os ânimos estão inflamados”, ela afirma, imaginando uma ocorrência maior de manifestações e conflitos nos Jogos de Inverno de Pequim-2022.

O ex-lutador de taekwondo projeta um caldeirão na edição de Paris-2024. “Estamos falando de um ponto focal de conflitos religiosos, étnicos, então lá vai ser muito mais acalorado. Mas teve [protesto] em 2016, teve no Pan [de 2019]. Tóquio não vai escapar disso. Alguma coisa vai acontecer, só não sabemos o que nem com quem.”

Por Folhapress

Seja sempre o primeiro a saber. Baixe os nossos aplicativos gratuito.

Siga-nos em nossas redes sociais FacebookTwitter e InstagramVocê também pode ajudar a fazer o nosso Blog, nos enviando sugestão de pauta, fotos e vídeos para nossa a redação do Blog do Silva Lima por e-mail [email protected] ou WhatsApp (87) 9 9937-6606 ou 9 9101-6973.

Esporte

Após medalha de Rayssa,deputado quer crianças de 13 anos trabalhando

Publicado

em

Depois da vitória da skatista Rayssa Leal, de 13 anos, nas Olimpíadas de Tóquio, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) usou as redes sociais, nesta segunda-feira (26/7), para apoiar o trabalho infantil. “As crianças brasileiras de 13 anos não podem trabalhar, mas a skatista Rayssa Leal ganhou a medalha de prata nas Olimpíadas… Ué! É pra pensar… Parabéns à nossa medalhista olímpica! E revisão do Estatuto da Criança e Adolescente já!”, escreveu. No Brasil, são consideradas trabalho infantil e, portanto, proibidas: atividades econômicas e de sobrevivência, remuneradas ou não, praticadas por crianças ou adolescentes com menos de 16 anos, com exceção da condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. Dados do IBGE, apontam que cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalham no país. As atividades mais comuns são o trabalho doméstico, agricultura, construção civil, lixões e tráfico de drogas. “Art. 60. É proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos de idade. Eu defendo a revisão desse artigo no Estatuto da Criança e Adolescente. Se atentem para a palavra QUALQUER no texto da lei”, finalizou o deputado.

Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados e Jeff Pachoud/AFP

Por Diário de Pernambuco

Seja sempre o primeiro a saber. Baixe os nossos aplicativos gratuito.

Siga-nos em nossas redes sociais FacebookTwitter e InstagramVocê também pode ajudar a fazer o nosso Blog, nos enviando sugestão de pauta, fotos e vídeos para nossa a redação do Blog do Silva Lima por e-mail [email protected] ou WhatsApp (87) 9 9937-6606 ou 9 9101-6973.

Continue lendo

Esporte

Brasil sofre mas bate Argentina no vôlei masculino

Publicado

em

Na manhã desta segunda-feira (26), o Brasil enfrentou a Argentina no vôlei masculino e acabou superando os adversários após jogo bastante intenso.

Os hermanos lideraram os dois primeiros sets, mas no terceiro e quarto set o Brasil virou o jogo e liderou a partida. O set da vitória foi bastante apertado (16/14) marcando a vitória da seleção brasileira.

Durante a partida, a pequena participação de Douglas causou alvoroço nas redes sociais, já que o atleta entrou em quadra, marcou ponto e foi homenageado com a música de Pabllo Vittar ‘Zap Zum’ na quadra em Tóquio. A canção da Drag Queen é uma das mais tocadas das Olimpíadas. (Por Esporte ao minuto)

Seja sempre o primeiro a saber. Baixe os nossos aplicativos gratuito.

Siga-nos em nossas redes sociais FacebookTwitter e InstagramVocê também pode ajudar a fazer o nosso Blog, nos enviando sugestão de pauta, fotos e vídeos para nossa a redação do Blog do Silva Lima por e-mail [email protected] ou WhatsApp (87) 9 9937-6606 ou 9 9101-6973.

Continue lendo

Esporte

Skatista Rayssa Leal faz história e conquista prata nas Olimpíadas aos 13 anos

Publicado

em

A skatista Rayssa Leal, 13, gravou seu nome na história do esporte e dos Jogos Olímpicos nesta segunda-feira (26), com a medalha de prata na categoria street das Olimpíadas de Tóquio-2020.

Essa é a primeira vez que o skate é disputado nos Jogos, e o Brasil já havia saído com uma medalha no primeiro dia do street, a prata de Kelvin Hoefler neste domingo (25). As provas da categoria park serão realizadas em 4 e 5 de agosto.

Se antes havia a expectativa de um pódio duplo ou até triplo, já que o Brasil tinha algumas das principais participantes da prova, coube a Rayssa a responsabilidade de buscar a medalha sozinha, após as surpreendentes eliminações de Pâmela Rosa e Leticia Bufoni nas eliminatórias.

Rayssa Leal, fenômeno do esporte aos 13 anos, é a participante mais nova do Brasil na história dos Jogos e agora também a mais nova medalhista do país.

Natural de Imperatriz (MA), ela ganhou projeção nas redes sociais aos 6, com um vídeo em que aparecia acertando manobras vestida com uma fantasia da personagem Sininho. Isso lhe rendeu o apelido de Fadinha, que a acompanha até hoje.

Nos últimos anos, a atleta de 1,47 m de altura e 35 kg se tornou um dos principais nomes do street no mundo. Foi vice-campeã mundial em 2019 e chegou bem cotada para as Olimpíadas.

O surgimento dela e de outras adolescentes com destaque no skate alimentou o debate sobre a criação de um limite mínimo de idade para participar dos Jogos, algo que já ocorre em outros esportes, como a ginástica artística. O tema deve ser discutido para a próxima edição, em Paris-2024.

No Japão, Rayssa está acompanhada da mãe, Lilian, que tem acesso à Vila Olímpica. Nos últimos dias, ela viralizou ao chamar a lenda Tony Hawk de “tio”, interagir com famosos nas redes sociais e ser adotada com carinho pela torcida brasileira.

Ela, que costuma definir sua relação com o esporte como uma “brincadeira com responsabilidade”, de fato conseguiu encarar a pressão da estreia olímpica de maneira leve e concluiu da forma como está acostumada: sorrindo e com uma medalha no pescoço.

Por:esporte ao minuto

Seja sempre o primeiro a saber. Baixe os nossos aplicativos gratuito.

Siga-nos em nossas redes sociais FacebookTwitter e InstagramVocê também pode ajudar a fazer o nosso Blog, nos enviando sugestão de pauta, fotos e vídeos para nossa a redação do Blog do Silva Lima por e-mail [email protected] ou WhatsApp (87) 9 9937-6606 ou 9 9101-6973.

Continue lendo
Propaganda

Trending